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Por que a Síria é diferente

gustavochacra

08 de outubro de 2008 | 18h25

A Síria é diferente porque muitos homens ainda usam bigode. Mas não porque seja moda atualmente entre descolados em outros lugares do mundo. Eles usam bigode, bem ralo, para imitar o presidente Bashar al Assad. Não todos os sírios, claro. Mas os guardas de fronteira e alguns policiais.

A Síria é diferente porque os jovens não podem se divertir no facebook e no youtube. Esses sites são bloqueados, junto com os da oposição e os do governo israelense.

A Síria é diferente porque é árabe. Não é islâmica, como a maioria dos países do Oriente Médio. Nem multi-religiosa como o Líbano. Tampouco secular como a Turquia pós-Ataturk. A Síria se chama República Árabe Síria. Aqui o mais importante é a cultura árabe, seja ela cristã, muçulmana ou judaica.

A Síria é diferente porque ela ocupou por quase 30 anos o território de um vizinho. Mas um outro vizinho ocupa o seu território há mais de 40.

A Síria é diferente porque ela apóia radicais islâmicos no Líbano e nos territórios palestinos, mas os combate internamente.

A Síria é diferente porque é um país novo, mas que tem milênios de história.

A Síria é diferente porque aqui tem os castelos cruzados mais bem conservados do mundo, não muito longe de ruínas romanas quase intocadas e das mesquitas mais maravilhosas do planeta.

A Síria é diferente porque quando se chega à cidade-velha de Damasco, a pessoa nunca mais quer sair para a cidade-nova.

A Síria é diferente porque fica no meio de Israel e do Iraque e seu maior aliado é o Irã.

A Síria é diferente porque seu nome identifica um dos melhores hospitais do Brasil, um clube que foi campeão mundial de basquete e o pão que é usado para fazer o sanduíche que leva o nome da capital do país vizinho.

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