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Porto Príncipe – Imaginem Gaza e multipliquem por dez

gustavochacra

14 de janeiro de 2010 | 23h44

Primeiro, desculpem pela ausência do blog. O acesso à internet no Haiti é precário. E, obviamente, este está longe de ser o maior problema do país. Estive em Gaza e no sul do Líbano durante e depois de guerras e na crise em Honduras. Posso assegurar que a situação aqui é infinitamente pior. Não quero comparar um conflito armado com desastre natural. Mas acho que esta é uma das formas para tentar explicar a situação em Porto Príncipe.

Não tem água, não tem comida, não tem gasolina. Quer dizer, tem, se a pessoa tiver dinheiro. Mas não tem casa, não tem hospital em número suficiente, não tem palácio do governo. Não tem hotel. As pessoas buscam ajuda da ONU e organizações humanitárias para conseguir sobreviver. O único meio de transporte é o taptap – uma espécie caminhonete misturada com lotação. Os haitianos dormem em campos de futebol ou em terrenos abandonados porque suas casas estão destruídas ou comprometidas por causa do terremoto. Além disso, ainda há corpos nas ruas e sobreviventes sob os escombros. Alguns gritam, mas não há máquinas para conseguir retirá-los. Quanto mais o tempo passa, mais pessoas morrem.

O melhor lugar da cidade, certamente, é a base militar do Brasil, onde estão hospedados todos os jornalistas brasileiros. Como naqueles filmes de apocalipse, sempre existe um lugar salvador, onde há comida e água. Cama, por enquanto, não. Aqui, dentro da base, também há cerca de 70 haitianos sendo tratados com ferimentos graves. Uma mulher deu a luz a um filho. E também os corpos dos 14 militares brasileiros mortos.

Na edição impressa, serão publicadas as minhas reportagens. Se conseguir uma boa conexão aqui na base amanhã, vou publicá-las. O mesmo vale para os comentários

Eu embarquei ontem de Nova York para Santo Domingo. Cerca de 15 jornalistas vieram no mesmo avião. Ao desembarcarmos na capital dominicana, procuramos por voos fretados para voar para o Haiti. Em grupo, fomos para o aeroporto doméstico. Quando chegamos, já era muito tarde para viajar ao Haiti. A torre de controle aqui está destruída e o piloto tem que pousar apenas com a visão, durante o dia.

Fomos para um hotel, dormimos pouco e de madrugada voltamos ao aeroporto. Embarquei em um avião com outros 18 jornalistas. Cheguei a Porto Príncipe, circulei pela cidade até vir para a base graças a uma carona de militares brasileiros.

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