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Praça Tahrir em Wall Street?

gustavochacra

26 Setembro 2011 | 10h08

no twitter @gugachacra

As demandas do movimento Occupy Wall Street podem ser ingênuas para muitas pessoas. Mas refletem a indignação de uma geração de jovens, assim como ocorre na Espanha, Israel e Egito. Não sei ainda se existe impacto no Brasil. Vale prestar atenção.

De acordo com informações disponibilizadas no site dos organizadores, a idéia deles é “usar a tática revolucionária da Primavera Árabe de ocupação em massa para restaurar a democracia nos Estados Unidos”. “Também encorajamos o uso da não violência para atingir nossos objetivos e garantir a segurança dos participantes. Não é possível viver em um sistema no qual 99% trabalham para a ganância e a corrupção de 1%”, acrescentam. A idéia surgiu na revista Adbusters em editorial reclamando da falta de justiça com os responsáveis pela crise financeira de 2008

Agora, eles passaram a contar também com o apoio do grupo de hackers Anonymus, um dos mais poderosos da internet. Porém a expectativa de juntar mais de 20 mil pessoas nunca foi alcançada. Alguns opositores da Occupy Wall Street ironizam a ação dos manifestantes que usam blackbery, iPhones e computadores da Apple, além do Twitter, YouTube (Google) e Facebook, para protestar contra o capitalismo.

Neste fim de semana, os manifestantes, que são pacíficos, foram alvo de uma reação desproporcional da polícia de Nova York. Falo sendo um admirador do prefeito Michael Bloomberg, como os leitores sabem. Ele poderia ter agido de outra forma.

Os policiais usaram spray de pimenta e prenderam entre 80 e cem pessoas durante ação para conter protestos contra os bancos de Wall Street e o governo americano. Pelo menos 50 pessoas continuavam detidas na noite de domingo e outras centenas passariam mais uma noite no acampamento montado no distrito financeiro de Manhattan há dez dias.

Os manifestantes agiam de forma pacífica e sem armas. Porém interromperam o trânsito e realizaram protestos em algumas áreas da cidade sem a licença exigida pela polícia de Nova York. Na tarde de sábado, centenas de manifestantes, impedidos de permanecer na região de Wall Street, caminharam alguns quilômetros pela Broadway, tomando a Washington e a Union Square, que são duas das praças mais movimentadas da cidade, em uma área próxima da Universidade de Nova York (NYU).

Vídeos disponibilizados no Youtube mostram policiais disparando spray de pimenta contra algumas meninas do movimento Occupy Wall Street. Em outro, policiais arrastam jovens desarmados e feridos pela calçada.  Um dos detidos é o médico brasileiro Alexandre Carvalho, que vive em Nova York e foi liberado horas mais tarde. Junto com a namorada e também brasileira Vanessa Zettler, que faz faculdade de ciência humanas em Nova York, ele participa dos protestos desde o início, no dia 17, dormindo todas as noites no acampamento em Wall Street.

“Como estávamos proibidos de protestar em Wall Street, tomamos a Broadway. Mas a polícia montava barricadas e tivemos que ir desviando. Ao longo do caminho, alguns eram presos. Mas nada em larga escala até chegarmos à Union Square. Nesta praça, a polícia nos circundou e fez prisões em massa. Eu fui preso quando tentei ajudar uma menina que tinha sido atingida por spray de pimenta”, disse em relato ao Estado.

Em seguida, Carvalho foi colocado em um camburão com outras 16 pessoas. “Ficamos lá dentro, sem ventilação. Estávamos algemados com força e o sangue não circulava bem”, afirmou. Fotos na internet realmente mostram mãos extremamente inchadas dos manifestantes. Alguns dos presos, em sua maioria universitários e jovens profissionais, mas incluindo idosos,  foram levados em ônibus comuns para a central da polícia em Manhattan porque não havia viaturas suficientes.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios