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Principal historiador árabe dos EUA vê futuro sombrio para os palestinos

gustavochacra

20 de abril de 2009 | 10h24

“O movimento nacional palestino enfrenta a sua mais grave crise desde 1948. Uma crise que deve ser resolvida pelos próprios palestinos. Isso é algo que a fragmentada liderança palestina aparentemente não é capaz de fazer. Se a unidade palestina não puder ser restaurada em uma forma nova e estável, os palestinos talvez estejam ameaçados com um eclipse político, como aconteceu depois de 1948, embora a dura realidade palestina persistirá”

A frase é do historiador americano, de origem palestina, Rashid Khalidi em entrevista para a “The Economist”. A revista britânica o descreve como um acadêmico “que foi alvo de ataques de ativistas pró-Israel e políticos republicanos, mas os que conhecem o trabalho do professor da Universidade Columbia o admiram muito”. Conforme já escrevi outras vezes no blog, Khalidi foi meu professor de História da Palestina, História do Oriente Médio e História dos Movimentos Islâmicos no mestrado da Universidade Columbia, em Nova York. Sem dúvida, Khalidi, que é de uma tradicional família de Jerusalém e viveu por anos em Beirute, pode ser considerado o maior conhecedor da história dos palestinos nos Estados Unidos. Além disso, é amigo de Obama.

Sua frase é importante porque indica que os palestinos podem voltar ao limbo político que se seguiu a 1948. Até a emergência de grupos como o Fatah e a FPLP nos anos 1960, com a criação da OLP (Organização Para Libertação da Palestina), os palestinos estavam esquecidos. Mais importante, na época, os movimentos começaram no exílio, e não nos territórios. Nos últimos 20 anos, a luta pela criação de um Estado palestino se moveu para dentro da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, com as duas Intifadas e o fracassado processo de paz, além da recente guerra em Gaza. Atualmente, grande parte da população palestina está desiludida com os dois principais grupos. O Fatah pela incapacidade de conseguir resultados pela via diplomática e o Hamas por ter levado os palestinos a uma guerra inútil, com cerca de 1400 mortos.

Menos pessimista, o chief of Staff de Obama, Rahm Emanuel, deu sinais claros de que o presidente americano está comprometido com a criação de dois Estados. “Nos próximo quatro anos, teremos um acordo permanente entre Israel e os palestinos baseado em uma solução de dois Estados para dois povos e não interessa quem é o primeiro-ministro [de Israel]”, disse ele na semana passada.

Emanuel foi descrito por muitos como um árduo defensor de Israel, que seria prejudicial para a causa palestina. Mas não é. Nem ele e tampouco outros judeus da administração de Obama. Eles discordam da visão direitista da AIPAC e, mais do que isso, compartem da opinião da maior parte da comunidade judaica americana, que é extremamente liberal e votou em massa para o candidato democrata nas Eleições Presidenciais. Conforme disse o próprio Khalidi na entrevista para a The Economist, eles preferiram Obama apesar de o atual presidente, na campanha, ter sido classificado como muçulmano e pró-Palestino e o seu rival, John McCain, compartilhar de uma ideologia neo-conservadora defendida pela AIPAC. Os judeus americanos, está claro, não são representados pela AIPAC, especialmente os mais jovens, da geração J-Street.

Palestras

21 de abril – Habonim Dror (restrita a membros da juventude judaica do Brasil)- às 13h30
22 de abril – Clube Paulistano (restrita a sócios e convidados de sócios)- às 20h
23 de abril – Clube Monte Líbano (restrita a sócios e convidados de sócios)- às 20h30
29 de abril – Clube Sírio (aberta ao público) – a definir

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