As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Problema de Romney é a sua campanha, não o vídeo

gustavochacra

18 de setembro de 2012 | 12h01

Eleições nos EUA 2012

Ainda é cedo para dizer como o vídeo com declarações de Mitt Romney divulgado ontem repercutirá nas eleições em novembro. Barack Obama, quatro anos atrás, também foi pego descrevendo de forma não muito positiva eleitores da Pensilvânia e mesmo assim foi eleito presidente. Vamos aguardar as pesquisas. Este link mostra que gafes costumam não provocar mudanças. Na Bolsa de apostas em Londres, houve um leve crescimento no favoritismo do atual ocupante da Casa Branca, ainda em dois terços.

Aqui, o trecho polêmico da declaração de Romney –  “There are 47 percent of the people who will vote for the president no matter what. All right, there are 47 percent who are with him, who are dependent upon government, who believe that they are victims, who believe that government has a responsibility to care for them, who believe that they are entitled to health care, to food, to housing, to you-name-it. That that’s an entitlement. And the government should give it to them. And they will vote for this president no matter what… Our message of low taxes doesn’t connect…so my job is is not to worry about those people. I’ll never convince them that they should take personal responsibility and care for their lives. What I have to do is convince the five to 10 percent in the center that are independents, that are thoughtful….”

Aqui, o que Obama disse em 2008 – You go into these small towns in Pennsylvania and, like a lot of small towns in the Midwest, the jobs have been gone now for 25 years and nothing’s replaced them. And they fell through the Clinton administration, and the Bush administration, and each successive administration has said that somehow these communities are gonna regenerate and they have not. And it’s not surprising then they get bitter, they cling to guns or religion or antipathy toward people who aren’t like them or anti-immigrant sentiment or anti-trade sentiment as a way to explain their frustrations.

O problema, para Romney, talvez não seja o vídeo. Mais grave é a sua campanha. Embora com mais recursos do que a de Obama, eles estão fazendo um péssimo trabalho. Deixaram os adversários democratas dominarem a agenda e, pior, com a capacidade de definir um perfil do republicano.

O correto era a campanha de Romney ter, desde o início, colocado o candidato como um bem sucedido homem de negócios, com uma administração boa em Massachusetts, uma família exemplar e, mais importante, com propostas claras para solucionar a crise econômica dos anos Obama.

Em vez disso, Romney, na descrição da campanha democrata, é visto como um voraz eliminador de empregos em busca de lucros, ex-governador mal sucedido de Massachusetts e com idéias não muito diferentes das de George W. Bush para a economia. Além, claro, de um anti-mormonismo barato não da campanha, mas de alguns simpatizantes de Obama. Aliás, é lamentável como atacam os mórmons nos EUA.

Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: