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Protesto de palestinas em Jerusalém termina em discussão com a polícia de Israel

gustavochacra

10 de janeiro de 2009 | 10h46

Sete idosas faziam um protesto no portão de Damasco, que é a principal via de acesso à parte muçulmana da cidade velha de Jerusalém. Elas carregavam uma faixa reclamando do silêncio da comunidade internacional e dos países árabes diante da ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza. Jovens apenas observavam. Os palestinos de Jerusalém tomam enorme cuidado para não se envolver em confusão. Caso contrário, os israelenses podem retirar a identidade que permite a eles trabalhar em Israel. Este documento existe porque a parte árabe foi conquistada e anexada na Guerra dos Seis Dias em 1967. Os moradores palestinos puderam permanecer, mas não receberam cidadania – eles usam passaporte jordaniano e querem fazer parte de um futuro Estado palestino.

Como as idosas não trabalham mais, elas temem menos os soldados e a polícia de Israel. Organizações palestinas as utilizam em manifestações na cidade, mas elas aparentemente estavam ali por vontade própria. Entoavam gritos pedindo o fim da violência. Lamentavam a morte de crianças e mulheres em Gaza. Nada muito diferente do que ocorreu em Londres, Istambul ou Caracas. Em nenhum momento atacaram verbalmente judeus ou israelenses. As palavras “Yahud” (judeu em árabe) e “Israeli” não foram pronunciadas nos dez minutos que eu observei o protesto. Tampouco “Hamas”, que nem é popular entre os árabes cristãos e muçulmanos de Jerusalém, foi citado. Como disse acima, a faixa que elas exibiam não era ofensiva. Um policial israelenses filmava tudo – quem participava e quem estava ao redor.

Mas o ato não durou muito tempo. Três truculentos policiais israelenses arrancaram a faixa das idosas para dispersar as manifestantes. Os homens que estavam ao redor tentaram separar. Mas os policiais, com coletes a prova de bala e fuzis, gritavam com as senhoras de hijab. Elas gritavam de volta. Até chegarem alguns soldados de Israel, que afastaram a polícia – dando bronca inclusive – e deixaram as senhoras em paz. Elas pegaram a faixa e começaram a gritar “Palestina, Palestina, Palestina”.

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