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Protestos devem ter o poder de derrubar governos na Rússia, Síria e Egito?

gustavochacra

27 de dezembro de 2011 | 12h54

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Na Rússia, neste fim de semana, dezenas de milhares de pessoas protestaram contra supostas fraudes em eleições parlamentares. Eles também querem o fim do poder de Putin, que tentará retornar à Presidência oficialmente no ano que vem.

Segundo alguns analistas, estas manifestações indicam que os russos não querem mais Putin, ou seu fantoche Medvedev, no poder. Isto é, se 40 mil pessoas saem às ruas em um país de 140 milhões, o governo deveria cair. Meio bizarra esta afirmação. O mesmo é afirmado nos recentes protestos da praça Tahrir no Egito e também na Síria, onde Damasco e Aleppo, as duas maiores cidades, ainda não observaram protestos contra Assad.

Sem dúvida, muitos russos não querem mais Putin comandando Moscou. No entanto, uma enorme parcela da população defende o ex-presidente. Apenas eleições justas podem definir se o líder russo deve voltar oficialmente ao poder. Pelo menos, diferentemente de Hugo Chávez, ele concordou em sair da Presidência depois de cumprir dois mandatos. Não desrespeitou a lei como o venezuelano.

Também vários egípcios são a favor dos militares. Eles temem sim uma radicalização de um país conhecido nos anos 1920 e 30 por ser cosmopolita e tolerante, mas que hoje vê o fortalecimento de grupos salafistas. Chegou a um ponto onde, nno Cairo, a Irmandade Muçulmana passou a ser vista como “moderada”. Mas eles venceram a eleição e não há do que reclamar. Em Damasco, dizer que “o povo sírio quer o fim do regime de Assad” tampouco é correto. Na verdade, existem movimentos a favor da queda do atual governo, assim como outros querem a manutenção de Bashar e seus aliados do partido Baath. Prestem muita atenção à maioria silenciosa.

Conforme escrevi antes da minha folga, muita gente gosta de ditadura, inclusive no Brasil. Médici era muito popular. Pinochet também, no Chile. Uma pena, mas o mundo é assim.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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