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Quais as conclusões da eleição na Holanda? Extrema-direita fracassou?

gustavochacra

16 de março de 2017 | 16h55

O partido mais votado nas eleições da Holanda foi VDD, de centro-direita, do premiê Mark Rutte. Ao todo, deve ter 31 cadeiras de um total de 150 no Parlamento holandês. São 8 cadeiras a menos do que o partido obteve nas últimas eleições e indica que, apesar do primeiro lugar, houve claramente uma piora no desempenho. Este enfraquecimento, porém, não deve impedir que Rutte permaneça no poder por meio de uma coalizão que ultrapasse as 76 cadeiras necessárias para ter maioria.

Já o partido de extrema direita anti-imigrante e abertamente islamofóbico PVV, liderado por Geert Wilders, ficou em segundo lugar, totalizando 20 cadeiras, com um aumento de 5 em relação à eleição anterior. Houve, portanto, um avanço, mas aquém do que se especulava até poucos dias atrás, quando alguns apostavam que o PVV teria pluralidade, e bem atrás do VDD. Vale frisar ainda que serão somente 20 cadeiras de 150, ou cerca de 13% apenas dos eleitores. Talvez a maior vitória para Wilders foi colocar seu discurso xenófobo na agenda eleitoral – e isso, por si só, é preocupante.

Os Trabalhistas, de centro-esquerda, despencaram de 39 para 9 cadeiras, sendo os maiores perdedores das eleições holandesas. Na esquerda, os Verdes cresceram de 4 para 14.

Há ainda uma outra série de partidos de diferentes tendências, como os cristãos-democratas (19), liberais progressistas (19), socialistas (14), entre outros.

As conclusões desta eleição são, primeiro, que a extrema direita cresceu, mas está longe, muito longe, de ser dominante na Holanda, apesar de ter avançado. Em segundo lugar, a tendência de outsiders ocorre também na esquerda, com os verdes. Mas, no geral, a direita está mais forte na Holanda. Terceiro, os partidos do establishment se enfraqueceram, embora não tenham perdido o poder e ainda sejam majoritários. Não sabemos se este enfraquecimento é cíclico (só saberemos em eleições futuras). Mas sabemos que se trata de um fenômeno global de estafa com os políticos tradicionais.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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