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Qual a chance de os “rebeldes” pró-EUA ganharem a Guerra da Síria?

gustavochacra

03 de agosto de 2015 | 11h28

A Guerra da Síria possui quatro lados relevantes, conforme escrevi aqui uma série de vezes, mas vou repetir para dar contexto.

1. Primeiro, claro, tem o regime de Bashar al Assad. Embora na defensiva neste momento, ainda controla praticamente todos os grandes centros populacionais da Síria, incluindo Damasco, Homs, Hama, grande parte de Aleppo, Latakia e Tartus. Nestas áreas, segue sólido no poder.

2. Segundo, tem o ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh), localizado mais perto da fronteira com o Iraque, controlando apenas uma capital de Província síria – Raqaa

3. Terceiro, há a federação de milícias ultra extremistas apoiadas pela Arábia Saudita, Turquia e Qatar, incluindo a Frente Nusrah, ligada à Al Qaeda, que controla áreas mais perto da fronteira com a Turquia e também em uma série de focos ao redor da Síria, incluindo os subúrbios de Damasco.

4. Por último, temos os grupos curdos sírios, também localizadas nas regiões mais próximas da fronteira turca.

Cada um destes quatro “lados” na Guerra da Síria possui dezenas de milhares de combatentes. O regime de Assad é, disparado, o mais bem armado, inclusive por ser o único que tem Força Aérea. Além disso, conta com o apoio do Hezbollah, do Irã, da Rússia e de milícias xiitas iraquianas.

E os rebeldes apoiados pelos EUA, conhecidos como “Divisão 30”? Ao todo, somam cerca de 60 (sessenta) pessoas, quase não tem armas, seus líderes foram sequestrados pela Frente Nusrah e não controlam nem 0,1% do território sírio.

Alguns argumentarão que o ideal seria aumentar o apoio aos rebeldes. Mas eu retrucaria dizendo que os EUA enviaram centenas de milhares de soldados para o Iraque, gastaram trilhões para formar um Exército com outras centenas de milhares de iraquianos e hoje o ISIS é mais poderoso no Iraque do na Síria. Sem falar que, no Iraque, há apenas um inimigo – o ISIS. Na Síria, os “rebeldes” apoiados pelos EUA teriam de lutar contra as poderosas forças de Assad e também contra a federação de milícias extremistas.

Qual, portanto, é a melhor estratégia para os EUA na Guerra da Síria? Não se envolver militarmente. Como em quase todas as guerras civis, há um ciclo que nenhuma força externa consegue impedir. Como escrevi aqui, na do Líbano, foram 15 anos. No Iraque, são 12. No Afeganistão, já somam 36, desde a invasão soviética.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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