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Qual a diferença entre isolacionistas e intervencionistas nos EUA?

gustavochacra

29 de agosto de 2014 | 11h34

Os EUA se dividem hoje entre intervencionistas e isolacionistas. Conforme escrevi aqui outras vezes, esta divisão não segue as linhas partidárias. Há intervencionistas no Partido Democrata, como Hillary Clinton, e no Partido Republicano, como John McCain. E há isolacionistas no Partido Democrata, como Elizabeth Warren, e no Partido Republicano, como o libertário Rand Paul.

De fora, é simples se descrever como isolacionista ou intervencionista. Isolacionistas tendem a ser mais céticos. Acham que não há muitas alternativas para a Guerra da Síria e para o conflito na Ucrânia. Avaliam que o ISIS, por exemplo, é um problema do Iraque e da Síria e deve ser combatido por estes governos. Os EUA devem se preocupar apenas com membros do ISIS ou da Al Qaeda que tentem cometer atentados terroristas contra interesses americanos. Por último, lembram que os países nos quais os EUA intervieram, como Iraque, Líbia e Afeganistão, há guerra civil. Onde os EUA ficaram distantes, como a Tunísia, há uma transição para a democracia.

Os intervencionistas avaliam que, se nada for feito, estas organizações não irão parar de crescer e cada vez mais ameaçarão aliados dos EUA na região, como Jordânia e Turquia, e construirão um Estado terrorista no meio do Oriente Médio, com capacidade de difusão de terrorismo ao redor do globo. Para atingir este objetivo, defendem o armamento de grupos rebeldes sírios, de curdos e fortalecimento do Exército do Iraque. Além disso, querem bombardeios contra alvos do ISIS também no território sírio. Se possível, deve reenviar tropas. Na Ucrânia, querem a intensificação das sanções contra a Rússia e o armamento do Exército da Ucrânia. Eles lembram ainda que o Ocidente não fez nada para impedir o genocídio em Ruanda e, uma intervenção, impediu mais massacres de sérvios da Bósnia e em Kosovo.

O presidente Barack Obama tem adotado um meio termo. No caso do ISIS no Iraque, já iniciou os bombardeios, mas reluta em enviar tropas. Arma os pesh merga, como são conhecidos os guerreiros curdos da região autonôma do Curdistão. Aceita ajudar o Iraque desde que a nova administração iraquiana seja mais inclusiva, concedendo mais voz para os sunitas, hoje marginalizados em um governo controlado por xiitas. Na Síria, deve iniciar bombardeios, mas mantém ceticismo com os grupos rebeldes sírios. Também iniciou o fortalecimento das Forças Armadas Libanesas para evitar que o conflito atinja o Líbano.

O interessante, nisso tudo, é que isolacionistas e intervencionistas falam apenas de Iraque, Síria e Ucrânia. Mas pouco se fala da expansão do Boko Haram na Nigéria, da guerra étnica no Sudão do Sul, do genocídio em Darfur, e da Guerra Civil do Congo. Por que? Porque estes conflitos não ameaçam os interesses americanos. Pode parecer hipocrisia, mas os EUA têm de se preocupar primeiro com os EUA. É assim no mundo todo. E, sejam isolacionistas ou intervencionistas, a maior parte das lideranças americanas é realista. Sim, há idealistas, mas estes possuem pouca força.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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