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Qual a estratégia da oposição síria no exílio?

gustavochacra

24 de janeiro de 2014 | 13h53

A oposição síria no exílio montou uma estratégia, com a ajuda de empresas de PR britânicas e americanas, para tentar convencer a comunidade internacional de que é a solução para o conflito na Síria. Em parte, visa roubar a narrativa de Assad na questão de ser inimiga da Al Qaeda, defensora dos cristãos e representativa do povo sírio. Mas será muito difícil convencer o mundo de algo que não é verdade

Al Qaeda – Eles já começaram a dizer que Assad estaria, na verdade, apoiando grupos ligados à Al Qaeda na Síria

A realidade – O líder da Al Qaeda disse ontem que o foco do grupo deve ser a luta contra Assad, e não contra outros grupos opositores. A Al Qaeda também está por trás de ataques contra reduto do Hezbollah em Beirute e contra a Embaixada do Irã no Líbano – o grupo xiita e o regime de Teerã são os maiores aliados de Assad. Resumindo, o regime sírio é inimigo da Al Qaeda

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Defensor de cristãos – Jihad Makdisi, um ex-porta-voz de Assad e cristão, integra a oposição e em entrevista ao New York Times disse que os cristãos estariam neutros, e não a favor de Assad

A realidade – Jornalistas internacionais, inclusive eu, estiveram e estão na Síria e veem os cristãos defendendo Assad em sua maioria. Ontem mesmo a CNN fez uma matéria de milícias cristãs em cidades como Saidnaya (cristã) lutando contra os rebeldes. Há milícias cristãs pró-Assad espalhadas pelo país. Claro, existem cristãos anti-Assad. Mas a maioria está com o regime

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Representa os rebeldes – Dizem que são representantes de alguns grupos armados rebeldes, como o Exército Livre da Síria

A realidade – Os rebeldes que lutam entre si e contra Assad ignoram a oposição no exílio e os acham uns incompetentes, incapazes de conseguir ajuda externa. O ISIS, a Frente Nusrah, ligados à Al Qaeda, e o Fronte Islâmico (extremista islâmico, mas sem associação com a rede terrorista) têm as suas próprias vias de suporte estrangeiro – no caso do ISIS, a maior parte de seus membros não seria síria

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E a grande realidade?

A Guerra da Síria é entre um regime sanguinário contra rebeldes sanguinários, na qual os dois lados cometem crimes contra a humanidade. Assad realmente protege mais as minorias, como os cristãos e os alauítas, enquanto os rebeldes são radicais religiosos sunitas. A oposição no exílio é irrelevante para os rebeldes e para a população síria e, assim como a Autoridade Palestina, vive da negociação

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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