As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Qual a estratégia de Assad e da Rússia em Aleppo?

gustavochacra

04 Outubro 2016 | 12h28

O regime de Bashar al Assad, com o apoio da Rússia, tem o objetivo de unificar a cidade de Aleppo. Desta forma, o governo sírio teria o controle de toda a chamada “Síria Útil”. Basicamente, a “Síria Eultil” começa em Daara, na fronteira com a Jordânia, passa por Damasco e inclui toda a faixa territorial até Aleppo, incluindo Homs e Hama, e a costa mediterrânea, além da fronteira com o Líbano.

Regiões como Raqqa, na fronteira com o Iraque, e as áreas curdas na fronteira com a Turquia têm pouca importância. E o deserto tampouco é vital para a sobrevivência do regime. Isto é, o objetivo de Assad seria ficar como a Colômbia dos anos 1990, com o controle parcial ou total dos centros urbanos, mas não das regiões rurais.

E por que tantos ataques neste momento? A intensificação das ações em Aleppo ocorrem para que o regime consiga unificar a cidade antes de um novo presidente assumir o poder nos EUA. O regime de Assad sabe que Hillary Clinton é bem mais intervencionista do que o presidente Barack Obama. Donald Trump, por sua vez, nunca foi muito claro na sua política para a Síria, embora costume elogiar Putin.

Com toda a “Síria Útil” em suas mãos, Assad, apoiado pelos russos, terá um maior poder de barganha com quem estiver na Casa Branca em 2017. E tentará convencer Hillary ou Trump de que não há como derrubar o regime em Damasco no curto e médio prazo – Obama já foi convencido. A única alternativa seria se focar no combate à Frente de Conquista do Levante (antiga Frente Nusrah, a Al Qaeda na Síria) e no ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários na minha página no Facebook. Peço que evitem comentários islamofóbicos, antissemitas, anticristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores. Também evitem ataques entre leitores ou contra o blogueiro.  Não postem vídeos ou textos de terceiros. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a minha opinião e não tenho condições de monitorar todos os comentários

Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor) e no Instagram