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Qual a estratégia dos EUA para combater o ISIS no Iraque?

gustavochacra

11 de agosto de 2014 | 10h25

Os Estados Unidos possuem duas estratégias paralelas para o Iraque. A primeira delas, já em andamento, serve para conter o avanço do grupo extremista ISIS em direção ao Curdistão no norte e evitar o genocídio de cristãos, yazidis e outras minorias na zona fronteiriça entre o território curdo e o controlado pelo ISIS. A segunda seria para o governo central em Bagdá retomar as regiões iraquianas nas mãos do ISIS, incluindo Mossul, a segunda cidade mais importante do país.

Parte 1 – Armar os Curdos e ataques seletivos contra o ISIS para conter avanço no norte

a) No primeiro caso, os EUA já iniciaram os bombardeios contra posições do ISIS que vinham avançando em direção ao Curdistão. Além disso, os EUA anunciaram hoje que passarão a armar diretamente os Pesh Merga, como são conhecidos os disciplinados guerreiros curdos, sem a necessidade de passar pelo governo central em Bagdá. Desde a implementação desta estratégia na quinta, os curdos, que são aliados dos EUA, vêm conseguindo reconquistar territórios perdidos para o ISIS.

b) Os bombardeios humanitários (literalmente, com o lançamento de alimentos e água) teriam reduzidos a tragédia dos yazidis nas montanhas Synjar. Também foram abertos corredores para eles conseguirem chegar salvos a áreas curdas perto da fronteira com a Síria, embora muitos milhares de yazidis talvez ainda estejam nas montanhas e muitos já morreram. Cristãos também dependem da retomada do controle de suas cidades, como Qaraqosh, e por enquanto buscam refúgio nas proximidades de Erbil principal cidade do Curdistão.

Parte 2 – Formação de um governo mais inclusivo em Bagdá para retomar controle de todo o território

a) Os EUA, assim como uma série de analistas internacionais, avaliam ser necessária a formação de um governo mais inclusivo em Bagdá, no qual os sunitas possuam uma voz maior. A atual a administração é comanda por xiitas ligados ao premiê Nouri Maliki. Caso se sintam mais representados, os sunitas poderão, em teoria, se voltar contra o ISIS, que ocupa áreas majoritariamente sunitas. No passado, estes mesmos sunitas, no surge americano entre 2006 e 2009, foram fundamentais para derrotar a então Al Qaeda no Iraque no mesmo território. Na época, eles agiram em troca de mesada.

b) Em coordenação com o novo presidente do Iraque, Fouad Massoum, que é curdo, e facções políticas xiitas e sunitas no Iraque, os EUA tentam encontrar um nome forte e de consenso para substituir Maliki no cargo de premiê. Esta tarefa será complicada pois Maliki, temendo ser processado por corrupção e mesmo tortura, não possui incentivos para deixar o cargo e ameaça usar a força. O mesmo se aplia a outros membros do alto escalão de poder. Além disso, Maliki venceu as eleições e tem maioria no Parlamento, possuindo uma certa legitimidade

c) A alternativa está  na indicação hoje de Haider al-Abadi, um outro membro do bloco de Maliki, que diz concordar em formar um governo mais inclusivo.. O atual premiê não aceita.  O mais importante neste momento é ver quem terá o apoio de outros grupos xiitas em Bagdá, incluindo a milícia do clérigo Moktada al Sadr e mais algumas ligadas ao Irã. Os iranianos, que, assim como os EUA, também apoiaram Maliki por anos, também realisticamente estariam convencidos de que seria melhor um outro nome no cargo e veem a necessidade de um governo mais inclusivo

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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