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Qual a estratégia para reverter as recentes vitórias do ISIS no Iraque?

gustavochacra

18 de maio de 2015 | 10h43

O que aconteceu em Ramadi?

Esta cidade do Iraque, capital da Província de Ambar, majoritariamente sunita, foi tomada pelo ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Centenas de pessoas morreram e 8 mil teriam fugido depois da ofensiva.

 Mas o ISIS não vinha sofrendo derrotas no Iraque?

O ISIS de fato perdeu batalhas em Diala e Tikrit, também majoritariamente sunitas. Mas estas cidades ainda não se estabilizaram. Além disso, as vitórias parciais se deveu a ofensivas de milícias xiitas apoiadas pelo Irã e bombardeios da coalizão liderada pelos EUA.

E o Exército do Iraque?

O Exército iraquiano tem sido pouco eficiente e depende bastante de milícias xiitas apoiadas pelo Irã para conseguir enfrentar o ISIS.

Por que não usar as milícias xiitas para lutar contra o ISIS em Ramadi?

Estas milícias devem ser usadas nos próximos dias para reverter as perdas. Mas há um efeito colateral grave. A população de Ramadi é majoritariamente sunita. Embora não gostem do ISIS, que também é sunita, veem os xiitas como adversários históricos. Alguns dizem que tanto faz – eles seriam massacrados tanto pelo ISIS quanto pelas milícias xiitas.

E as tribos sunitas locais podem ser uma alternativa?

Sim, mas ainda não possuem preparo suficiente para enfrentar o ISIS. No longo prazo, porém, podem se tornar a melhor alternativa para manter a estabilidade. Neste momento, dependem do apoio das milícias xiitas

Os EUA poderiam enviar tropas?

As tropas americanas sofreram suas maiores baixas na Guerra do Iraque justamente na Província de Ambar. O cenário melhorou um pouco quando começaram a trabalhar com as tribos sunitas, pagando mesadas. Os bombardeios americanos, por sua vez, podem ajudar, mas são insuficientes sem ajuda terrestre. Por este motivo, dependem das milícias apoiadas pelo Irã, as únicas com força para derrotar o ISIS

Por que não usam os Peshmerga contra o ISIS em Ramadi?

Os Peshmerga, como são conhecidos os guerreiros curdos, até ajudam parcialmente. Mas Ramadi está distante do seu território e operações em larga escala são complicadas

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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