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Qual a lição do ato terrorista contra muçulmanos no Canadá?

gustavochacra

31 Janeiro 2017 | 12h27

Teve um atentado terrorista neste domingo no Canadá. Seis pessoas foram mortas enquanto rezavam. Muitos nem sabem deste episódio. Não teve o impacto de outros ataques terroristas, como o de Berlim. Normalmente, há uma falta de atenção para atentados que ocorrem no Iraque, maior alvo do terrorismo no mundo, na Síria, na Nigéria e na Somália. Mas no Canadá? E um atentado desta proporção?

Bom, talvez porque as vítimas sejam muçulmanas. Afinal, os mortos eram muçulmanos que estavam rezando em uma mesquita em Quebec. O terrorista se chama Alexandre Bissonnetti. Tem 27 anos. É conhecido em fóruns nacionalistas canadenses. Também costuma atacar nas redes sociais pessoas que discordem de seus posicionamentos políticos contra o islamismo. É um árduo defensor de Marine Le Pen, a candidata ultra-nacionalista a presidente da França. E também do presidente Donald Trump – que fique claro, nem o presidente americano nem a líder francesa pregam ataques a muçulmanos, mas alguns (uma minoria) de seus seguidores, sim.

O mundo não se divide entre “muçulmanos” e “Ocidente”. Primeiro porque as maiores vítimas do terrorismo cometido pelo ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh) e a Al Qaeda são os próprios muçulmanos. Em segundo lugar porque quem mais combate o terrorismo cometido pelo ISIS e a Al Qaeda também são os próprios muçulmanos – os soldados iraquianos e sírios e os guerreiros peshmerga curdos são quase na sua totalidade muçulmanos. Em terceiro lugar, porque há pessoas más em todos os países e de todas as religiões.

No islamismo, estas pessoas más de fato ganharam espaço nas últimas décadas – não havia problema de terrorismo jihadista nos anos 1970 (o terrorismo palestino na época era nacionalista e incluía também cristãos). Este mesmo fenômeno de pessoas más ganharem espaço também ocorre, em uma escala menor, no Ocidente e também em lugares como o Brasil. O ataque à mesquita do Canadá é apenas mais um resultado disso. O Egito era muito mais tolerante em 1970 do que hoje. O Irã, também. Iraque, Síria, Yemen. Pode colocar na lista. Mas estas sociedades viram o crescimento de radicais.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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