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Qual a lógica de Obama treinar rebeldes na Síria se muitos deles são terroristas do ISIS?

gustavochacra

26 de junho de 2014 | 17h59

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu ao Congresso US$ 500 milhões para treinar rebeldes sírios. Obviamente, isso pode levantar algumas perguntas.

Os EUA não querem combater o ISIS no Iraque? Qual a lógica de treinar rebeldes sírios se o principal grupo rebelde entre os opositores sírios é justamente o ISIS e o segundo mais importante é a Frente Nusrah, ligada à Al Qaeda e considerada terrorista pelo Departamento de Estado?

Obama, na realidade, quer treinar outros grupos rebeldes, chamados de “moderados” – a denominação visa apenas diferenciá-los dos ultra radicais. Estas facções supostamente moderadas são quase irrelevantes no campo de batalha atualmente. Mas, ao treiná-las, o governo americano buscará atingir três objetivos

1. dar uma opção para sírios que queiram lutar contra o regime de Assad, mas, ao mesmo tempo, não concordam com o radicalismo da Frente Nusrah e do ISIS

2. usar estes rebeldes para lutar contra o ISIS e evitar o avanço da organização na Síria

3. servir como uma forma de pressão sobre o regime sírio para Assad fazer concessões e, se houver sucesso, atingir o objetivo de o líder sírio deixar o poder

O que eu acho que vai acontecer?

Os grupos rebeldes treinados pelos EUA serão mais um ator na Guerra Civil da Síria e contribuirão para o aumento da violência e muitas mortes. Em algumas áreas, entrarão em confronto com o ISIS. Em outras, contra o regime. Alguns de seus membros trairão os americanos e irão se associar ao ISIS. Se possível, também levando armas. Assad permanecerá no poder, assim como permaneceu nos últimos três anos. Mas pode se enfraquecer e o principal beneficiado será o ISIS

Assad é, na visão dos alauítas, dos cristãos, dos drusos e de muitos sunitas moderados, a melhor opção neste momento de caos e a única segurança contra ultra-radicalismo do ISIS. Mais importante, se quiser mesmo derrotar o ISIS, os EUA precisarão da ajuda de Assad, considerado pelo governo do Iraque um aliado fundamental no combate ao terrorismo.

Qual a prova do que você está falando?

Na verdade, a CIA já treina há anos rebeldes na Síria e foi justamente isso o que aconteceu. Não é uma previsão minha

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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