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Qual a lógica de os EUA espionarem a Alemanha, um de seus melhores amigos?

gustavochacra

25 de outubro de 2013 | 11h13

Obs. O pior das revelações de Snowden ainda não foi publicado. Por enquanto, sabemos de países amigos (Brasil e Alemanha) em regiões pacíficas (Europa e América Latina). Imagine quando chegarmos à China, Coreias, Oriente Médio…

A espionagem de líderes internacionais, incluindo do Brasil e da Alemanha, por parte dos serviços de inteligência americano choca não apenas pela dimensão de envolver até e-mails e ligações telefônicas como também por Edward Snowden, um funcionário terceirizado com base no Havaí, ter acesso a estas informações e de alvo terem sido países aliados.

Para tentar ser mais claro, imaginava-se que apenas o alto escalão e determinados setores do serviço de inteligência possuíssem acesso a informações deste porte, como as que envolvem a espionagem de líderes estrangeiros. E, mais importante, que estes líderes fossem de países rivais (China) ou inimigos (Irã). Mas um funcionário como Snowden e tendo como alvo a Alemanha, onde 200 mil pessoas foram ouvir Obama quando este era candidato em 2008? Ninguém pensava que chegasse a este ponto.

Os EUA têm argumento de que todos os países espionam. Verdade. Mas o que a Casa Branca faria se soubesse que o serviço de inteligência brasileiro e mexicano liam os e-mails de Obama; que o da Alemanha escutava suas ligações; e que o francês monitorasse os telefonemas dos cidadãos americanos? Mais grave, que milhares de pessoas destes países, incluindo funcionários terceirizados, tivessem acesso?

Além disso, é compreensível Israel tentar espionar o Irã e vice-versa, assim como os EUA monitorar a China. Mas qual lógica de o governo americano eespionar as comunicações de um de seus maiores aliados, como a Alemanha? Qual o argumento? O custo deste monitoramento certamente será muito maior do que qualquer beneficio de acessar os telefonemas de Angela Merkel, a chanceler (premiê) alemã.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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