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Qual a sua solução para o conflito Israel-Palestina?

gustavochacra

18 de dezembro de 2013 | 12h25

A solução final para o conflito entre palestinos e israelenses, levando em consideração o status quo de forças atual, já foi descrita por mim aqui diversas vezes, mas repito abaixo

1. Um Estado palestino seria criado na maior parte da Cisjordânia e na Faixa de Gaza

2. Os blocos de assentamento próximos da fronteira ficariam com Israel. Em troca, os palestinos receberiam terras para compensar em outras áreas

3. Os assentamentos mais profundos na Cisjordânia, como Ariel, ficariam onde estão, mas sob soberania palestina. Seus moradores poderiam optar pela cidadania palestina ou por viverem com cidadãos israelenses em outro país

4. Jerusalém seria uma municipalidade unificada, mas capital de Israel, pois já é na prática, e simbólica dos palestinos, com a sede da Presidência. A administração permaneceria em Ramallah, que está tão próxima de Jerusalém quanto Palácio dos Bandeirantes do centro de São Paulo

5. Os palestinos teriam uma força de segurança treinada pelos EUA, como já ocorre, mas não um Exército em um primeiro momento – a Costa Rica não tem Exército e é admirada por isso. O Líbano tem, mas é irrelevante para bater de frente com Israel

6. Israel manteria tropas no vale do rio do Jordão por um período a ser determinado

7. Os refugiados palestinos poderiam voltar para o Estado palestino, mas não para o que hoje é Israel

8. Os palestinos, no fim, teriam de reconhecer Israel como Estado judaico. Os israelenses, em troca, teriam de dar as garantias de que cristãos e muçulmanos de Israel, que apesar de cidadãos se consideram palestinos, tenham todos os direitos e liberdades garantidas. Precisaria também reconhecer que muitos palestinos foram expulsos de suas terras na Guerra de 1948, como bem descreve o jornalista Ari Shavit, um dos mais conceituados de Israel

 O plano não é perfeito. Há argumentos dos dois lados contra

 No 1 – Israelenses afirmam que a Cisjordânia é um território em disputa. Os palestinos que todo o território é deles

No 2 – Quais seriam estas terras trocadas? Como definir exatamente quais assentamentos são próximos?

No 3 – Israelenses dizem que os colonos teriam segurança. Palestinos dizem que não dariam cidadania a eles

No 4 – Como uma cidade unificada pode ser capital de dois países?

No 5 – Por que os palestinos não teriam direito a um Exército, como todos os países do mundo?

No 6 – A manutenção destas tropas não seria ocupação?

No 7 – Como os palestinos integrariam centenas de milhares de pessoas em um território tão pequeno?

No 8 – Alguns israelenses ainda argumentam que palestinos não foram expulsos (isso é negar a história, pois a expulsão dos palestinos está documentada). Os palestinos dizem que reconhecer Israel como um Estado judeu feriria os direitos dos cristãos e muçulmanos árabes israelenses. Por que não reconhecer Israel como Estado israelense? Israelenses também dizem que seus cidadãos árabes cristãos e muçulmanos tem mais direitos do que em todo o resto do Oriente Médio (sabe-se lá como os cristãos teriam mais do que no Líbano, onde por lei os cristãos têm a a Presidência e o comando das Forças Armadas, além de metade do Parlamento, mas enfim…)

 Quais seriam as outras alternativas?

A. Um Estado único, com a concessão da cidadania israelense para todos os habitantes palestinos da Cisjordânia e Faixa de Gaza. Israel seria um Estado binacional, perdendo o seu caráter judaico. Na prática, seria a morte do sionismo

B. Um Estado israelense único, em todo o território, mas sem concessão de cidadania aos palestinos. Milhões de pessoas sequer seriam tratadas como cidadãs de segunda classe porque não teriam cidadania. Israel, neste caso, seria isolado pela comunidade internacional em um processo que, concorde-se ou não, já se iniciou

 Vocês têm alguma outra opção?

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 Obs2.  Não escrevi ontem porque estou terminando um longo artigo sobre os cristãos árabes para uma revista literária britânica e também um livro sobre futebol argentino em parceria com o Ariel Palacios

 Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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