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Qual o maior obstáculo para Obama na luta contra o ISIS?

gustavochacra

11 de setembro de 2014 | 10h35

Barack Obama tem estratégias diferentes para combater o ISIS no Iraque e na Síria. Em ambas, porém, o presidente dos EUA terá como prioridade trabalhar em conjunto com uma ampla coalizão internacional, que inclui nações ocidentais, árabes, a Turquia e mesmo o Irã

No Iraque, Obama terá 4 pilares

. Armar e treinar o Exército iraquiano, depois da formação de um governo mais inclusivo, com maior participação de sunitas, e não apenas controlado pela maioria xiita

. Bombardear alvos do ISIS

. Convencer líderes tribais sunitas a lutarem ao lado das forças iraquianas, inclusive pagando salário para quem estiver a favor de Bagdá.

. Armar e treinar os pesh mergas, como são chamados os guerreiros do Curdistão, uma zona autônoma do Iraque

Na Síria, Obama terá 2 pilares

. Bombardear alvos do ISIS

. Armar e treinar os rebeldes supostamente moderados da oposição síria, que lutam tanto contra o regime de Bashar al Assad como contra o ISIS

Quais os obstáculos?

Tanto no Iraque como na Síria haverá enormes obstáculos. Mas o maior deles será sem dúvida alguma conseguir transformar o grupo de “padeiros, carpinteiros e engenheiros”, nas palavras do próprio Obama em um passado recente supostamente moderados em uma força capaz de bater de frente não apenas com o ISIS, como contra o regime de Assad, a Frente Nusrah (Al Qaeda na Síria) e o Fronte Islâmico (organização radical bancada pela Arábia Saudita).

O Exército Livre da Síria, considerado o grupo “moderado” da oposição, é irrelevante hoje. Seus membros desertaram muitas vezes para o próprio ISIS, levando junto as armas fornecidas pelo Ocidente e por países do Golfo, ou lutam ao lado da Frente Nusrah (Al Qaeda na Síria)

Há sim uma chance de os EUA derrotarem o ISIS no Iraque e o Exército iraquiano voltar a controlar todo o território. Este objetivo foi alcançado em 2008, embora com a ajuda de dezenas de milhares de soldados americanos. A Argélia também conseguiu derrotar o Grupo Islâmico Armado nos Anos 1990. É difícil, mas possível. Agora, na Síria, se o ISIS for derrotado, haverá um vácuo de poder que pode ser preenchido tanto por Assad como pela Al Qaeda. Obama não pode publicamente defender Assad, acusado de crimes contra a humanidade. Mas, nos EUA, todos sabem que ele seria a única solução, especialmente por não representar uma ameaça aos EUA ou aos vizinhos, além de defender minorias religiosas como os cristãos. Notem que o presidente americano não falou ontem para o líder sírio deixar o poder.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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