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Qual o perigo da Al Qaeda na África depois do atentado na Burkina?

gustavochacra

14 Agosto 2017 | 15h10

A Al Qaeda, se aproveitando das sucessivas derrotas do ISIS (Grupo Estado Islâmico ou Daesh), tem crescido na África e no Oriente Médio. Basta ver que controla vastos territórios na Síria e no Yemen. Já no continente africano, a rede terrorista, com presença maior no Mali, tem intensificado suas ações como no atentado de ontem em Ouagadougou, capital da Burkina.

A ação seguiu o novo modelo da Al Qaeda, de se focar em lugares frequentados por expatriados. Na ação, o alvo foi o tradicional café Aziz. Entre as vítimas, havia pessoas do Canadá, França, Líbano, Nigéria e da própria Burkina. No ano passado, o Splendid Hotel e o Café Cappuccino, também em Ouagadougou, foram alvo de outra mega atentado da Al Qaeda, com 30 mortos.

Este braço rede terrorista, conhecido como Al Qaeda no Magreb, ainda não tem condições de realizar ações fora da África, onde uma série de países já foram atacados. O temor é de que haja um crescimento similar ao da Al Qaeda na Península Arábica, com base no Yemen e alcance global. A Al Qaeda na Síria, por enquanto, tem se concentrado em lutar contra o regime de Bashar al Assad e o Hezbollah. Não se sabe, no entanto, qual será o objetivo de longo prazo da organização que controla a província de Idlib com o apoio de nações árabe e ocidentais.

O certo é que a Al Qaeda tem tudo para voltar para o topo de maior rede terrorista do mundo, superando os seus adversários do ISIS. O Boko Haram, na Nigéria, e o Al Shabab, na Somália, são mais locais, sem ambição global.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão, comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York e colunista do jornal O Globo, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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