As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Qual o problema de ser israelense no Brasil?

gustavochacra

06 de junho de 2015 | 12h34

A decisão de pedir os nomes de alunos israelenses em uma universidade em Santa Maria não é correta por se tratar de preconceito contra a origem nacional de pessoas. O fato de ter nascido ou não em Israel não torna a pessoa pior ou melhor. Apenas a torna israelense, o que não é um crime.

Israelenses podem ser judeus, mas também podem ser ateus, podem ser muçulmanos, podem ser drusos e podem ser cristãos. Inclusive, o embaixador de Israel no Brasil é árabe e druso, não judeu, como muitos equivocadamente podem imaginar – aliás, alguns no Brasil associam Israel apenas aos judeus, quando se trata de uma nação multicultural e multireligiosa, de maioria judaica.

Em Israel, como em outros países do planeta, há médicos, advogados, prostitutas, empresários, desempregados, milionários e jogadores de futebol. Há assassinos e há heróis. Há viúvas e há deficientes físicos. Há chuva e sol. Há praia e montanha. Há cidades modernas, como Tel Aviv, e históricas, como Jerusalém.

Deve-se criticar sim Israel pela ocupação da Cisjordânia. E muitos israelenses criticam diariamente a expansão dos assentamentos nas TVs e jornais do país e nos bate-papos em cafés no Boulevard Rothschild de Tel Aviv. Esta questão deve ser resolvida em um acordo de paz com os palestinos no qual os dois lados vivam em paz e segurança. Os obstáculos, todos nós conhecemos.

Há muito o que se criticar no governo de Benjamin Netanyahu. Assim como há muito o que se criticar no governo Dilma ou no governo Obama. E, tenham certeza, vários israelenses criticam Netanyahu, assim como vários brasileiros criticam Dilma e americanos criticam Obama. Também pode-se discutir ações de Israel no Líbano ou em Gaza, mas este não é o objetivo deste post.

O objetivo é deixar claro que não faz sentido ter uma lista na qual determinadas pessoas sejam tratadas como criminosas por serem de determinada nacionalidade.

Sim, o Líbano bloqueia a entrada de cidadãos israelenses (e é quase impossível um libanês não ser barrado em Israel). Mas trata-se de um contexto de guerra. Não se pode, de forma alguma, comparar com as relações do Brasil com Israel. Estas duas nações são amigas e até possuem acordos comerciais.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

Comentários islamofóbicos, antissemitas, anticristãos e antiárabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco são permitidos ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista
Acompanhe também meus comentários no Globo News Em Pauta, na Rádio Estadão, na TV Estadão, no Estadão Noite no tablet, no Twitter @gugachacra , no Facebook Guga Chacra (me adicionem como seguidor), no Instagram e no Google Plus