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Qual o risco de Trump abandonar o acordo com o Irã?

gustavochacra

21 Setembro 2017 | 10h50

O Irã é inimigo dos EUA. E os americanos podem ter o regime de Teerã inimigo com armas nucleares ou sem armas nucleares. Em uma parceria com todas grandes potências (China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha), o governo de Barack Obama conseguiu um acordo que impede os iranianos de desenvolverem seu programa nuclear. Portanto ele garantiu que o Irã seguiria apenas como um inimigo sem armas atômicas.

Donald Trump agora indica que o acordo é “vergonhoso” e insinua que pode abandoná-lo. Seria uma decisão unilateral dos EUA, que poderia isolar o país. Afinal, o Irã tem cumprido o acordo, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica e todos os aliados americanos. Até mesmo as Forças Armadas dos EUA dizem que o regime de Teerã cumpre a sua parte.

O acordo, insisto, se foca apenas na parte nuclear. Não se trata de um acordo para o Irã se tornar uma democracia por para eliminar o envolvimento do país em conflitos no Oriente Médio. O objetivo foi apenas impedir que o regime de Teerã tivesse armas atômicas. Sem a negociação do governo Obama, talvez Trump tivesse que lidar hoje com um Irã Nuclear, além da Coreia do Norte Nuclear.

Sem dúvida, o Irã segue como um regime que desrespeita os direitos humanos. Mas a Arábia Saudita, principal aliada americana no mundo árabe, e o Egito, que recebe uma mesada bilionária dos EUA, também possuem regimes repugnantes. Nos conflitos do Oriente Médio, o Irã luta contra o Grupo Estado Islâmico, assim como os EUA. Ao mesmo tempo, apoia o Hezbollah, considerado uma ameaça a Israel. Mas, mais uma vez, melhor ter uma ameaça sem armas nucleares, como conseguiu Obama, do que com uma bomba atômica. A Coreia do Norte pode destruir Seul. O Irã não consegue destruir Tel Aviv.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão, comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York e colunista do jornal O Globo, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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