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Qual o significado do atentado em Tel Aviv?

gustavochacra

10 Junho 2016 | 10h12

Alguns leitores reclamaram que não fiz um post específico sobre Israel. Realmente, com as eleições dos EUA e a Guerra da Síria, tenho escrito pouco sobre o conflito entre israelenses e palestinos.

O atentado nesta semana em Tel Aviv se diferenciou dos anteriores que temos observado desde o ano passado por ter sido mais elaborado. Os terroristas estavam disfarçados e escolheram como alvo um badalado mercado da maior cidade de Israel. Não foi um ato impulsivo e aleatório como em outras ações terroristas.

Por outro lado, a ação se encaixa na atual onda de atentados. Primeiro, por ter sido uma ação de lobos solitários. O Hamas pode ter celebrado o atentado, mas não teve papel nenhum na organização deste ataque terrorista. Em segundo lugar, por não ter sido uma ação de homem-bomba, diferentemente do que ocorria na Intifada durante a primeira metade da década passada.

Diante destas informações, é importante ficar atento para a possibilidade de futuros ataques de lobos solitários cada vez mais sofisticados. Os esfaqueamentos tendem a ser substituídos por ataques de maior intensidade, ainda que aquém dos observados nos atos suicidas do passado.

O governo de Benjamin Netanyahu respondeu retirando permissões para dezenas de milhares de palestinos da entrarem em Israel por diferentes motivos, inclusive visitar as famílias durante o mês sagrado do Ramadã. Além disso, deve destruir as casas das famílias dos terroristas.Estas ações são completamente inócuas e servem mais para consumo doméstico. Já faz décadas que atos similares são realizadas sem muito sucesso. Trata-se de punição coletiva e apenas acirra os ânimos. Terrorismo se combate com os serviços de inteligência, que o Shin Bet já faz muito bem, e colaboração das autoridades palestinas, que já ajudaram a impedir dezenas de atentados.

Enfim, o status quo prosseguirá no conflito entre israelenses e palestinos. Haverá momentos ao longo dos anos de escalada de violência, como nas bienais guerras em Gaza, e outros de maior calmaria. Não há o menor risco de guerras de grandes proporções como na Síria e no Yemen. E tampouco deterioração do cenário interno como no conflito entre a Turquia e os terroristas do grupo curdo PKK (o equivalente do Hamas para os turcos). Mas também estamos muito distantes de um acordo de paz.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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