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Qual será a diferença da Era Obama para a Era Trump na Casa Branca?

gustavochacra

19 Janeiro 2017 | 13h40

Hoje será a última noite que Barack Obama e sua família dormirão na Casa Branca. Amanhã, Donald Trump passará a ser o residente da mais simbólica residência presidencial de todo o planeta.

Como será o último jantar em família? Quais as memórias que a Sasha e a Malia levarão dos anos em que viveram na Casa Branca? Como será para Obama o último momento no salão oval? A última vez que escovará os dentes no banheiro da Casa Branca? Como será dormir sabendo que, nesta mesma cama, no dia seguintes, dormirá um presidente que questionou a sua nacionalidade americana por anos e nunca pediu desculpas?

Não será simples, tenham certeza. Não será simples também seguir em um carro junto com Trump até o Capitólio para o juramento do novo presidente. Mas faz parte da democracia e das instituições americanas.

Hillary Clinton, candidata derrotada, estará presente também por ser ex-primeira-dama. Trump a ofendeu duramente durante a campanha. Levou mulheres a um debate que acusam o marido dela, Bill Clinton, de assédio e mesmo ataques sexuais. Disse que iria prendê-la quando assumisse a Presidência – voltou atrás nesta promessa depois de ser eleito.

Para Jimmy Carter e George W. Bush, talvez tenha sido pior. Afinal, eles eram presidentes derrotados e tiveram de acompanhar seus rivais vitoriosos Ronald Reagan e Clinton assumirem o poder. Mas demonstraram maturidade e elegância ao agirem dentro das tradições constitucionais americanas.

Nesta sexta, Trump se torna presidente dos Estados Unidos. Assume com apenas 40% de popularidade – a menor desde que começaram a realizar estes levantamentos décadas atrás. E também assume tendo perdido por 3 milhões de votos – mas foi democraticamente vitorioso dentro das regras do Colégio Eleitoral. O peso sobre ele será enorme. Agora cabe a nós monitorarmos o seu governo e verificar seus sucessos e seus fracassos. Trump passa a ser o responsável pelo futuro dos EUA. E quatro anos é um período longo. É uma verdadeira “Era”. A “Era Trump”. A Era Obama termina ao meio-dia desta sexta.  Não sei como será lembrado no futuro.

Termina, no entanto, com uma popularidade de 63% – seu índice mais alto desde agosto de 2009, segundo pesquisa da CNN. Quando assumiu, sua popularidade era de 78% e chegou a cair para 47% em junho de 2014. Para 65% dos americanos, seu governo foi um sucesso. Para 34%, um fracasso.

Estes números vão variar ao longo da história. Mas Obama já entrou para a história e passa para o panteão dos ex-presidentes dos Estados Unidos. Apenas 44 tiveram a honra de comandar a que, nos dias atuais, é a maior potência da história da humanidade. Destes 44, cinco estão vivos – além de Obama, George W. Bush, Bill Clinton, George Bush (internado em um hospital) e Jimmy Carter. O presidente número 45, para surpresa de todos, será Donald Trump. Em cem, 200, 300 anos, estarão falando dele, assim como de Obama. Nós cairemos no esquecimento.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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