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Quando a ONU condenará a Arábia Saudita da mesma forma que condena a Síria e o Irã?

gustavochacra

22 de novembro de 2011 | 19h18

 no twitter @gugachacra

A Síria merecia ser condenada na Assembleia Geral da ONU por violar os direitos humanos na repressão do regime à oposição. Verdade, também deveria ser feita uma menção às milícias opositoras que matam civis das minorias cristã e, principalmente, alauíta, chegando a decapitá-los castrá-los em alguns casos.

Agora, patético mesmo é a Arábia Saudita, que trata as mulheres e os xiitas como animais, dar uma de superior e votar contra os sírios. O Egito também, com sua junta militar matando 30 nos últimos três dias, deixando dezenas de feridos. O Bahrain exterminou seus opositores e ainda tortura dezenas, conforme veremos amanhã quando for publicado um relatório sobre os acontecimentos em Manama.

O Qatar, que prega a democracia através da Al Jazeera em todo o mundo árabe, continua sendo uma ditadura. O rei Abdullah, da Jordânia, já deve estar negociando o seu exílio porque, depois de Assad em Damasco, ou ele vira rainha da Inglaterra ou terá de ir embora de Amã. Não vai ter tortura que o segure no poder. O kuwaitianos, que até desfrutam de maiores liberdades democráticas, também começaram a enfrentar a oposição.

Agora, para mim, nada se equipara ao regime genocida do Sudão. Como eles podem ter a cara de pau de falar em direitos humanos na Síria ou no Irã?

Damasco e Teerã merecem ser alvo de resoluções como as aprovadas nos últimos dias por violarem os direitos humanos. Mas o mesmo deveria ser aplicado também a pelo menos cinco dezenas de países.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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