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Quem a oposição síria no exílio representa?

gustavochacra

06 Maio 2014 | 12h00

Os Estados Unidos estão certos em reconhecer os prédios da coalizão opositora síria no exílio como representação diplomática? Não, não estão. Afinal, existem duas hipóteses sobre esta coalizão opositora.

 Primeiro, ela seria representante também dos opositores sírios que lutam na Guerra Civil. Os principais grupos armados lutando CONTRA Bashar al Assad na Síria são a Frente Nusrah, ligada à Al Qaeda, e o ISIS, que foi banido pela rede fundada por Bin Laden por ser, acreditem, muito radical e extremista. Ambos, considerados terroristas pelos EUA, são responsáveis por dezenas de milhares de mortos, incluindo milhares de cristãos e alauítas.

Em segundo lugar, esta coalizão poderia não ser representante destes grupos rebeldes. Mas, neste caso, seria representante de quem? De sírios no exílio. Eles de forma alguma podem dizer que representam  sírios em Damasco ou Aleppo e mesmo no exterior – no Brasil, boa parte da comunidade síria, especialmente cristã, apoia Assad. E os grupos armados moderados? Não tem grupo armado moderado e quase todos hoje, na oposição, são extremamente radicais. Não era assim até o fim de 2012. Na época, o Exército Livre da Síria era sim mais moderado. Hoje é irrelevante.

A oposição civil, que iniciou protestos pacíficos em 2011, foi reprimida pelo regime, atacada pelos grupos armados extremistas opositores, desistiram de lutar ou passaram a ver o regime de Assad como um mal menor diante da possibilidade de serem governados por organizações ligadas à Al Qaeda ou ainda piores. Avaliam que, sem Assad, neste momento, a alternativa seria algo como um regime com líderes similares aos do Boko Haram, na Nigéria, responsável pelo sequestro de 200 meninas, ou Taleban no Afeganistão.

Portanto o reconhecimento das missões diplomáticas da oposição em Washington é, na melhor das hipóteses, inútil.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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