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Quem apoia o Hamas no Oriente Médio? Não é Assad nem o Hezbollah

gustavochacra

16 de julho de 2014 | 10h07

Israel tem mais aliados no Oriente Médio do que o Hamas. O grupo palestino, historicamente, possuía o apoio do Irã, do regime da Síria e do Hezbollah. Com o início do conflito na Síria, porém, o Hamas, que havia recebido proteção por anos de Bashar al Assad, traiu o líder sírio e decidiu dar suporte aos rebeldes sírios, que são extremistas ultra radicais sunitas lutando contra as forças do regime, majoritariamente laicas, incluindo os alauítas, cristãos, drusos e sunitas moderados (a Síria quase não tem xiitas).

Esta traição fez o Irã, o Hezbollah e obviamente o regime de Assad romperem com o Hamas. O grupo palestino não ligou, pois, no Egito, seu inimigo Hosni Mubarak havia sido deposto e seus aliados da Irmandade Muçulmana tinham assumido o poder. A fronteira com o Egito foi aberta e, na prática, o bloqueio a Gaza havia sido suspenso. Além disso, o Qatar passou a apoiar financeiramente o Hamas e a poderosa Turquia defendia o grupo internacionalmente.

O problema é que o emir do Qatar foi substituído pelo filho, defensor de um menor envolvimento na Faixa de Gaza. A Irmandade Muçulmana  foi deposta no Egito pelo regime do marechal Sissi, aliado de Israel. E a Turquia enfrenta muitos problemas internos e não coloca a Faixa de Gaza como uma prioridade.

E Israel? Os israelenses têm o apoio do regime de Sissi no Egito, a conivência de Assad na Síria e do Hezbollah no Líbano, e a neutralidade da Jordânia. Mesmo o Fatah, na Cisjordânia, não se envolve no conflito, a não ser retoricamente. A Turquia, por sua vez, voltou a se aproximar militarmente de Israel.

O Irã, desde janeiro, ensaiou uma reaproximação com o Hamas. Mas a traição contra Assad ainda pesa muito e os iranianos não contam com o suporte de Assad e do Hezbollah, que querem mais é que o Hamas se exploda por apoiar os rebeldes na Síria. Além disso, o regime de Teerã está mais preocupado com seus interesses no Iraque e na Síria, onde seu inimigo é ISIS

Obs. Os mísseis lançados do Líbano não são do Hezbollah. Provavelmente são de grupos extremistas da oposição síria que querem fazer Israel entrar no Líbano para combater o Hezbollah. Mas os israelenses, embora inimigos da organização libanesa, sabem que o Hezbollah não está envolvido nestas ações (os dois lados possuem regras em seu conflito).

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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