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Entenda o atentado contra a Embaixada do Irã em Beirute

gustavochacra

19 de novembro de 2013 | 09h43

Atualização – Atentado foi reivindicado por um grupo chamado “Batalhão Ziad al-Jarrah”. Ninguém conhece esta organização, que homenageia um dos terroristas do 11 de Setembro, indicando que deve ter sido mesmo uma facção ligada à Al Qaeda.

O Irã é inimigo da Al Qaeda.

O atentado contra a embaixada do Irã no Líbano ocorreu em uma região xiita de Beirute. Os iranianos, como sabemos, também seguem majoritariamente esta vertente do islamismo. O Líbano, por sua vez, é uma nação sectária, dividida entre xiitas, sunitas, cristãos e drusos. Esta divisão se repete também geograficamente.

Naturalmente, o Irã, no Líbano, é aliado de facções xiitas como o Hezbollah e a Amal e, em escala menor, de grupos cristãos.

Os alvos do ataque foram, portanto, o Irã e os xiitas libaneses. Sabemos que o regime iraniano possui uma série de inimigos pelo mundo, incluindo nações ocidentais, como Estados Unidos e França, nações árabes, como a Arábia Saudita. E Israel, claro.

Mas, além de países, o Irã também é inimigo da rede terrorista Al Qaeda e de grupos rebeldes na Síria, onde Teerã apoia o regime laico de Bashar al Assad contra uma oposição majoritariamente sunita conservadora.

Por último, existem grupos terroristas iranianos contrários ao regime, como o Mujahedin El Khalk (MEK), antes apoiado por Saddam Hussein, mas hoje contando com o apoio de figuras políticas em Washington, como John McCain e Giuliani.

Portanto, na lista de inimigos iranianos, temos EUA, França, Israel, Arábia Saudita, Al Qaeda e fações como a Frente Nusrah e o Exército Islâmico do Iraque  e da Síria e o MEK no Iraque.

De todos estes, os maiores suspeitos  do atentado são os grupos rebeldes ligados à Al Qaeda na Síria. Este ataque está dentro do contexto da Guerra da Síria (Irã, Assad e Hezbollah versus rebeldes apoiados pela Arábia Saudita, algumas vezes ligados à Al Qaeda). Não há relação com o conflito Israel-Irã.Por que?

EUA e França – O modus operandi deixa claro não se tratar de ação cometida pelos EUA e França. Tampouco este seria o momento para uma ação destas, dias antes de americanos e franceses negociarem um acordo nuclear com os iranianos

Israel – Este tampouco é o modus operandi israelense. Israel prefere optar por sabotagens do programa nuclear iraniano através de vírus de computador ou de ações preventivas contra alvos claros, como as instalações nucleares no Iraque, nos anos 1980, e na Síria, anos atrás

Arábia Saudita – o regime saudita tampouco compraria uma briga direta desta dimensão com o Irã. Tampouco é o modus operandi saudita. Mas não se pode descartar o possível envolvimento de membros das forças de inteligência saudita apoiando facções terroristas anti-Irã

Al Qaeda – A organização é suspeita e o modus operandi se encaixa em atentados anteriores realizados pela organização. Mas dificilmente os braços do grupo, encurralados no Paquistão. Há uma chance mais elevado de ser o braço no Yemen, conhecida como Al Qaeda na Península Arábica

Frente Nusrah e ISIS – São os maiores suspeitos no atentados. Ambos são ligados à Al Qaeda

MEK – Também deve ser colocado como suspeito, embora o local do atentado, Beirute, não seja um lugar com forte presença da organização

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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