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Quem deve ter acesso ao remédio contra o Ebola?

gustavochacra

13 de agosto de 2014 | 10h07

Não há cura para o Ebola. A maior parte dos infectados morre. Os que sobrevivem superam o vírus ao resistirem aos sintomas dias suficientes para desenvolverem anticorpos. Existe, porém, medicações em fases iniciais de testes nos EUA e outros países desenvolvidos. A mais conhecida delas é o ZMapp, que é desenvolvida por uma empresa de biotecnologia em San Diego, na Califórnia.

Normalmente, para uma droga ser disponibilizada para pacientes, ela passa por uma fase de testes. Isso ocorre em doenças como o câncer, em problemas cardíacos e em condições crônicas como MS e Diabetes. Estes testes têm várias etapas, incluindo os testes clínicos em pacientes. Caso a doença seja epidêmica, pode haver uma aceleração no processo e esta foi uma das grandes polêmicas envolvendo remédios no combate à AIDS nos anos 1980 nos Estados Unidos.

No caso do Ébola, já há uma aceleração. Mas será impossível terminar os testes e fabricar doses em número suficientes de ZMapp no curto prazo, demorando meses. Por enquanto, apenas macacos foram testados. O processo talvez termine apenas em 2015. O mesmo vale para outros medicamentos em fase de testes.

Ainda assim, dois médicos americanos tomaram o ZMapp e sobreviveram ao Ebola. Não se sabe se pelo remédio ou naturalmente, pois, como escrito acima, algumas pessoas sobrevivem ao vírus. Ninguém na África, no entando, teve acesso ao remédio. E um dos mais importantes médicos de Serra Leoa e Libéria, que contraiu o vírus, foi impedido de ter acesso à medicação por autoridades internacionais de saúde. Ele morreu.

Isso nos leva a fazer algumas perguntas éticas

 1. É correto dar um remédio para pacientes antes da conclusão da fase de testes?

 2. É correto disponibilizar os remédios apenas para alguns pacientes e não para outros?

 3. Houve favorecimento dos americanos em detrimento de africanos na hora de escolher quem recebe as doses?

 4. Caso fosse dada a africanos, diriam o inverso – isto é, que usaram africanos de cobaias para remédios desenvolvidos no Ocidente?

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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