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Quem é a personalidade do ano no Oriente Médio? Assad, Sissi ou Rouhani? Eu voto no líder sírio

gustavochacra

11 de dezembro de 2013 | 13h28

Como todos já devem saber, o Papa Francisco é a personalidade do ano da revista Time. Até brinquei no Facebook, ao falar que este é mais um título da Argentina,  depois de Nobel da Paz e de Medicina, de dois Oscar, de dois ouros olímpicos no futebol, de um ouro no basquete derrotando o Dream Team da NBA, de duas Copas do Mundo, de 3 dos 4 maiores jogadores de futebol da história (Messi, Maradona e Di Stefano), de um herdeiro do trono de São Pedro, faltando agora apenas o tri no ano que vem na Copa. Mas a escolha do pontífice era meio óbvia.

Bashar al Assad, por sua vez, também entrou na lista. Lembro que a personalidade do ano é para o bem ou para o mal. Mesmo assim, pergunto, que seria a personalidade do ano no Oriente Médio? Três nomes se sobressaem na minha opinião. Primeiro, o do líder sírio, obviamente. Em segundo lugar, o general Sissi, do Egito. E, em terceiro, o presidente do Irã, Hassan Rouhani.

Assad mais pela questão da Guerra Civil da Síria, onde ele, apesar da acusação de usar armas químicas e viver em um status quo bem inferior ao de 2010, antes do conflito, é visto como o grande vencedor. Hoje ninguém falar em intervenção militar para derrubá-lo do poder e suas forças estão no ataque, mas ainda incapazes de controlar todo o território. Na disputa de PR, Assad venceu ao ser descrito como um ditador, mas laico e defensor de minorias, incluindo a cristã, contra uma oposição jihadista ligada à Al Qaeda com o objetivo de implementar um regime totalitário religioso nos moldes do Taleban.

Sissi, por sua vez, se tornou o líder mais popular do Egito desde Nasser e homem forte do país, colocando o país de volta no secularismo, depois do golpe que derrubou os religiosos, mas eleitos democraticamente, da Irmandade Muçulmana do poder. Provavelmente, deve ficar no comando do maior país árabe do mundo por anos, talvez até mesmo vencendo eleições – ele seria favorito absoluto hoje.

Rouhani, para mim, foi o mais importante. O presidente do Irã conseguiu o inimaginável um ano atrás, ao se aproximar do Ocidente, assinar um acordo interino nuclear e adotar um discurso moderado. Os iranianos, cada vez mais, se distanciam do radicalismo “populista latino-americano misturado com islamista radical” de Mahmoud Ahmadinejad, embora o regime permaneça firme no poder e desrespeitando os direitos humanos.

Apesar de tudo isso, acho que Assad é o homem do ano Oriente Médio. E vocês? Podem citar outros. Vale todo o Norte da África e o Oriente Médio, mas não Ásia Central e Cáucaso.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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