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Quem é Romney, o adversário de Obama?

gustavochacra

05 de novembro de 2012 | 10h32

Eleições nos EUA 2012

Para alguns, Mitt Romney é um extremista conservador com posições sociais dos anos 1950. Para outros, um moderado e liberal ex-governador do liberal Estado de Massachusetts que manteve diálogo com a oposição democrata e chegou a defender o direito ao aborto e casamento entre homossexuais. Ao longo da campanha eleitoral, estas duas classificações foram atribuídas ao candidato republicano por seus aliados e inimigos.

Nascido em Detroit, Michigan, em 1947, Romney é de uma das mais proeminentes famílias mórmons nos Estados Unidos. Seu pai, George Romney, sempre foi o seu símbolo. “Ele chega a escrever ‘dad’ (papai, em inglês) em um papel antes de começar os debates”, afirmou recentemente a sua mulher Ann Romney.

George, o pai, teve uma carreira parecida com a do filho. Foi um bem sucedido executivo, dirigindo a American Motors Corporation. Em 1962, decidiu ir para a política e se elegeu governador de Michigan. Descrito como Rockefeller Republican, ou republicano moderado, acabou perdendo as primárias do partido em 1968 para Richard Nixon. No fim, foi seu secretário do Trabalho.

Romney, até agora, tem repetido a história do pai. Depois de viver na França como missionário (é fluente em francês) e se formar na Universidade Brigham Young, em Utah, concluiu o MBA e a escola direito de Harvard, algo raríssimo e apenas para estudantes acima da média de uma das melhores universidades do mundo. Seu próximo passo foi ir para a área de consultoria e, posteriormente, private equity. Na Bain Capital, fez sua fortuna de cerca de US$ 300 milhões, sendo visto como um gênio por seus pares.

Em 2002, foi o presidente da organização da ultra bem sucedida Olimpíadas de Inverno em Salt Lake City, meses depois do 11 de Setembro. Dois anos mais tarde, conseguiu se eleger governador de Massachusetts, onde aprovou uma reforma do sistema de saúde que serviu de modelo para Obama.

Nesta época, já com os cinco filhos adultos, sua mulher, Ann, desenvolveu esclerose múltipla, uma doença auto-imune. No início, houve grande dificuldade, mas, dez anos mais tarde, ela está em remissão, sem absolutamente nenhum sintoma ou seqüela de relapsos anteriores, quando chegou a ficar meses sem mover o lado direito do corpo e sofria com fadiga. Agora, ela, que também superou um câncer, é a grande estrela da campanha.

Nas eleições de 2008, Romney perdeu nas primárias republicanas. Neste ano, acabou sendo o vencedor. Na disputa, porém, adotou um discurso conservador para convencer a ala mais conservadora do partido, o Tea Party, a apoiá-lo. Desde o primeiro debate, decidiu voltar a ser o republicano moderado. E muitos americanos continuam sem saber qual deles seria o real.

Para mim, o Romney real é o de Massachusetts. Um homem pragmático, que acredita na iniciativa privada em economia, nos direitos das mulheres e dos homossexuais e em busca de um diálogo com os opositores. Em política externa, seria uma réplica de Obama.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade ColumbiaTambém é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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