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Quem estava errado sobre a Síria?

gustavochacra

01 de dezembro de 2014 | 21h17

Paulo Sérgio Pinheiro escreveu corretamente na Folha de S. Paulo de hoje que houve países mais preocupados com a queda de Bashar al Assad do que no fim da violência na Síria. Presidente da Comissão Independente Internacional de Investigação das Nações Unidas, ele conhece como pouco o cenário sírio.

Lembro bem como era em 2011, 2012 e 2013. Países como a França, Turquia, Arábia Saudita e Reino Unido apenas defendiam a queda de Bashar al Assad, ignorando completamente o radicalismo de grupos rebeldes. O Brasil, de fato, condenava tanto Assad quando os rebeldes, enquanto a Rússia e a China optavam por defender o líder sírio.

Quem seguia a Síria sabia que Assad não era o único responsável pela violência. Ele não matou 200 mil pessoas – este é o total de mortos por todos os lados na guerra, incluindo um número elevado de soldados, de milicianos pró-Assad e de civis simpatizantes ou não do regime que foram mortos pelos rebeldes. Sim, seu regime matou dezenas de milhares assim como rebeldes também mataram dezenas de milhares.

O ISIS (Grupo Estado Islâmico) não surgiu de um dia para o outro. Antes de ganhar destaque na mídia, com outras denominações, já lutava dentro da Síria. Não apenas o ISIS, como vários outros grupos opositores perseguiam cristãos bem antes de isso chegar às manchetes. Eu escrevia neste blog cansativamente desde 2011 que os cristãos eram perseguidos pelos rebeldes sírios. Muitos deles, por não ter outra opção ou mesmo genuinamente, optaram por se aliar a Assad. Há milícias cristãs defendendo o regime ao redor do país.

Israel, embora inimigo de Assad, Líbano e Iraque foram os únicos países mais realistas na região que sabiam dos riscos de derrubar Assad. Sabem o que ocorreu na Líbia depois de derrubarem Muamar Kadafi, com grupos ligados à Al Qaeda hoje controlando Trípoli.

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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