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Quais são as ditaduras aliadas dos EUA na luta contra o ISIS na Síria?

gustavochacra

23 de setembro de 2014 | 09h48

Os Estados Unidos iniciaram a sua ofensiva no território sírio contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico no Ocidente e Daesh no mundo árabe. Cinco países árabes apoiaram os americanos no bombardeio – Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes, Jordânia e Bahrain.

Ainda é cedo para sabermos o resultado na Síria, embora no Iraque, com uma campanha de bombardeios ainda maior e apoio do Exército do Iraque, com centenas de milhares de soldados treinados e armados pelos EUA, além dos experientes pesh mergas, como são conhecidos os guerreiros do Curdistão, a coalizão americana tenha sido incapaz até agora de conseguir avanços. As principais conquistas contra o ISIS se deram em áreas onde atuam o Irã e as milícias xiitas.

Diante deste cenário difícil no Iraque, imaginem na Síria, onde o plano dos EUA, além do bombardeio, consiste em treinar 5 mil membros supostamente moderados dos rebeldes sírios – insisto, praticamente não há moderados com armas no território sírio e maior parte destas organizações rebeldes são de fato inimigas do ISIS, mas aliadas da Al Qaeda (Frente Nusrah) em muitos casos. Se não deu certo com o forte Exército do Iraque, imaginem com a turma que o próprio Obama considerava irrelevante um mês atrás em entrevista ao New York Times?

Uma alternativa, como alguns analistas e a ala libertária do Partido Republicano defendem aqui nos EUA, seria uma aliança com o regime de Bashar al Assad. Sem dúvida, suas forças cometeram crimes contra a humanidade. Mas e as nações que ajudaram os EUA hoje nos bombardeios ao ISIS?

Arábia Saudita – País mais extremista religioso do mundo, onde a vertente wahabbista ultra radical do islamismo impera. Seu regime geriátrico tem uma hierarquia fraternal, de irmão para irmão da família Saud. Os sauditas patrocinam grupos armados na Síria que cometem crimes contra a humanidade e constroem e madrassas para difundir o radicalismo islâmico ao redor do mundo. As mulheres são alvo de Apartheid

Bahrain – O regime da família Al Khalifa massacrou opositores. O sistema é absolutista nos moldes europeus da Idade Média, com o adendo de a minoria sunita, ligada ao regime, praticar Apartheid contra a maioria xiita

Qatar – De fato, tem a rede de TV Al Jazeera, que é excepcional nas suas verões em inglês e americana, criticando até o governo – o mesmo não se pode dizer da sua versão em árabe. Também difunde a cultura ao redor do mundo através da Qatar Foundation. Mas, ao mesmo tempo, concede abrigo a terroristas de diferentes partes do mundo e é acusado de armar grupos ligados à Al Qaeda na Síria

Emirados Árabes – Você não pode votar nem para sindico neste país. Trabalhadores estrangeiros muitas vezes são quase escravizados nesta nação

Jordânia – O rei, que também deveria ser chamado de ditador, reprime a oposição com dureza, não aceitando críticas ao seu regime. De fato, o país é menos religioso do que os do Golfo

Diante de um time destes, não vejo onde seria tão antiético para os EUA se aliarem a Assad se seu regime seria a melhor alternativa para combater o ISIS. Afinal, neste conflito, se você não ameaça os EUA e o Ocidente, é considerado aliado. Se você ameaça, como o ISIS e a Al Qaeda, inimigo. Se no Iraque será difícil com o Exército, na Síria será quase impossível sem a ajuda do regime. 

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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