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Quem são os inimigos de Israel no mundo árabe?

gustavochacra

23 de dezembro de 2013 | 14h30

Já escrevi no passado e falei sobre o assunto em palestra no Centro de Cultura Judaica, a convite da Confederação Israelita do Brasil (Conib) – Israel não é cercado por nações árabes radicais islâmicas inimigas, como muitas pessoas afirmam. Já foi, sem dúvida, no passado, e correu risco de extinção em 1967 e 73. Mas o cenário mudou. Hoje Israel tem como maiores inimigos o Irã, que não é árabe, e grupos árabes, como o Hezbollah e o Hamas

. Israel tem fronteira com quatro países – Jordânia, Egito, Síria e Líbano

. Destes, dois possuem acordo de paz com Israel – Egito e Jordânia

. Dois são inimigos de Israel – Síria e Líbano

. No Líbano, por lei, o presidente, ministro da Defesa, chefe das Forças Armadas, metade do Parlamento e metade do gabinete ministerial têm ser Cristãos. E os muçulmanos libaneses, sejam xiitas ou sunitas, tendem a ser moderados em questões religiosas, embora tenha havido um crescimento dos salafistas em lugares como Sidon e Trípoli. Estes têm uma agenda anti-xiita, não anti-Israel

. O regime de Assad, na Síria, é laico e conta com o apoio dos cristãos, dos alauítas (uma versão ultra branda do islamismo), dos drusos e dos sunitas seculares. Além disso, sempre evitou bater de frente com Israel. Não houve nenhum ataque em 40 anos (quatro décadas) de Assad no poder nas colinas do Golã. Nem mesmo revide a bombardeios israelenses. Para completar, a Síria está em guerra civil. O maior inimigo de Assad são os rebeldes radicais sunitas. O maior inimigo dos rebeldes, óbvio, é o regime autocrático laico em Damasco

. Marrocos, Argélia, Líbia, Tunísia, Iraque e Yemen são indiferentes a Israel. Até retoricamente defendem os palestinos, mas estão bem mais preocupados com questões domésticas e jamais seriam uma ameaça aos israelenses. O que decidirem, eles aceitam. Nunca a Tunísia vai dizer – “nós rejeitamos este acordo de paz”. Ou a Argélia pegará em armas para atacar Israel

. Arábia Saudita, Omã, Qatar, Kuwait, Bahrain e Emirados Árabes, por sua vez, embora não estejam em paz com Israel, hoje são parceiros em uma série de áreas, incluindo tecnologia e militar. Tirando Omã, todos são inimigos do Irã e tem atuado em conjunto para  conter o regime de Teerã – Omã age como conciliador, tendo relações boas com todos os países, incluindo Israel

. Para completar, todos os países árabes, menos a Síria e o Sudão, são aliados dos Estados Unidos. Isso inclui o Líbano, onde os americanos treinam as Forças Armadas libanesas, apesar de o Hezbollah ser considerado terrorista pelos EUA e integrar (mas não controlar), ao lado de cristãos e de algumas facções sunitas, o governo em Beirute

. O Irã, que não é vizinho de Israel e tampouco árabe (é majoritariamente persa, com minorias, incluindo árabe), certamente deve ser incluído ao lado do Líbano e da Síria. Com a diferença de que o regime de Teerã, sem dúvida, é uma ameaça a Israel. Não dá para comparar as Forças Armadas iranianas com as sírias ou mesmo as egípcias. É um outro patamar.

. O Hezbollah, com a frente síria aberta e possivelmente outra dentro do Líbano, está neutralizado, neste momento (não no futuro), por Israel. O Hamas é um risco maior na questão do terrorismo. Este se reduziu sem dúvida devido ao aumento da segurança israelense, ao fim do apoio ao grupo palestino por parte da Síria e do Irã, e pela ineficácia destes ataques. Mas, ontem, vimos a tentativa de explodir um ônibus em Tel Aviv, embora não dê para saber se foi o Hamas. O certo é que uma mochila com explosivo foi deixada. Faz tempo que não vemos um suicida palestino

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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