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Quem são os palestinos de Jerusalém?

gustavochacra

20 Novembro 2014 | 12h33

Os palestinos de Jerusalém são os árabes, majoritariamente muçulmanos mas com uma minoria cristã, que habitam a cidade há séculos. Eles possuem mais direitos do que os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, mas menos do que os de Israel. Nas últimas semanas, com uma nova onda de violência, eles se tornaram o foco do conflito israelense-palestino. Dois deles cometeram um atentado terrorista que matou cinco pessoas em uma sinagoga.

Palestinos de Jerusalém

Até 1967, a metade oriental de Jerusalém era ocupada pela Jordânia. Na Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou e posteriormente anexou esta parte da cidade. Os moradores palestinos receberam o status de “residentes permanentes”.

. Eles podem viver e trabalhar em Israel

. Votam em eleições locais, mas não para as eleições nacionais

. Eles possuem acesso a benefícios sociais e na área da saúde

. Os cônjuges que não sejam de Jerusalém precisam aplicar para uma autorização do governo israelense

. Podem adquirir cidadania israelense desde que declarem lealdade a Israel, não sejam cidadãos de outros países e tenham noções de hebraico

. São raros os palestinos de Jerusalém que tentaram adquirir a cidadania de Israel. Suas principais reclamações envolvem a Esplanada das Mesquitas (Monte do Templo) e a crescente construção de assentamentos judaicos na parte árabe da cidade, ao mesmo tempo que enfrentam enorme burocracia para reformar ou construir suas casas

Palestinos de Gaza e Cisjordânia

Eles são os habitantes da área antes controlada pelo Jordânia (Cisjordânia) e pelo Egito (Gaza) até 1967. Israel as conquistou, mas não anexou, como fez com Jerusalém e as colinas do Golã (Síria)

. Eles não podem viver em Israel

. Em casos raros, recebem autorização para trabalhar em Israel. Mas a maioria não possui esta permissão

. Não são cidadãos de Israel. Como não existe cidadania palestina, a maioria dos habitantes não tem nacionalidade. Alguns possuem a jordaniana e, em um númeo menor, de países como EUA, Canadá, Austrália e Chile (especialmente os cristãos)

. Suas principais demandas envolvem o fim da ocupação da Cisjordânia, do bloqueio a Gaza e a criação de um Estado palestino

. São majoritariamente muçulmanos sunitas, mas há minorias cristãs especialmente em Ramallah (prefeita cristã), Belém (também prefeita mulher e cristã) e Beit Jala

Árabes-Israelenses

Eles viviam em cidades como Jaffa, Haifa e Nazaré que ficaram no território israelense depois da Guerra de Independência de 1948. Outros centenas de milhares foram expulsos ou deixaram suas casas em busca de refúgio nos países vizinhos e hoje são refugiados no Líbano, cidadãos na Jordânia e residentes permanentes na Síria – não há quase comunidades de refugiados em outros países árabes

. São cidadãos de Israel, com todos os direitos

. Podem trabalhar e viver por todo o país

. Cerca de 80% é sunita, 10% drusa e 10% cristã

. Os drusos fazem Exército. Apenas uma minoria dos sunitas e dos cristãos, que se identificam como palestinos, fazem Exército

. Reclamam, em alguns casos, que são tratados como cidadãos de segunda classe

. Possuem partidos políticos no Parlamento israelense

. Vivem especialmente em cidades árabes de Israel, como Nazaré, em cidades mistas como Haifa, ou áreas de Tel Aviv, como Jaffa

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Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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