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Quem seria o presidente ideal para os EUA na minha opinião?

gustavochacra

02 de novembro de 2016 | 12h04

Não acho que Hillary Clinton tenha sido uma boa secretária de Estado. Avalio que ela errou na Líbia, na Síria e no Egito. Teve sim alguns méritos, como na negociação para imposição de sanções ao Irã, que resultaram posteriormente no acordo no campo nuclear. E também no combate à Al Qaeda. Não foi, portanto, uma má secretária de Estado. Como todos seus antecessores teve pontos positivos e negativos. Tem sim qualificação para ser presidente dos EUA.

Isso não significa, porém, que Hillary seja a candidata ideal neste momento dos EUA. Não é. Sou uma daquelas pessoas que não gosta de um partido por muito tempo no poder. Avalio que rotação é saudável. Os democratas estão há oito anos. Barack Obama foi um bom presidente. A economia americana tem um crescimento saudável, o desemprego despencou e a inflação está controlada. Há sucessos e fracassos em política externa e doméstica. Não gabaritou, mas foi bem.

Mas o ideal, nestas eleições, seria um presidente republicano moderado com um Congresso controlado por democratas disposto a negociar para chegar a um ponto comum. Um governador ou ex-governador republicano e maduro, disposto a fazer reformas na imigração, com uma política externa realista e um programa econômico sólido seria o ideal. Há alguns nomes, como John Kasich, governador de Ohio, e Mitt Romney, candidato nas últimas eleições e ex-governador de Massachusetts. Jeb Bush tem o problema do sobrenome, mas seria maduro o suficiente para governar os EUA como seu pai, e não como seu irmão, um dos piores presidentes da história. Outra opção seria um candidato independente como Michael Bloomberg.

O candidato republicano, porém, é Donald Trump, que atacou pessoas de origem mexicana e muçulmana. Deu declarações indicando que gosta de atacar sexualmente mulheres. Tirou sarro de um repórter portador de deficiência física. No passado, foi processado por racismo. Insistiu por anos que Obama não havia nascido nos EUA. Atacou veteranos de guerra como o senador John McCain. E a lista poderia prosseguir indefinidamente. Mais grave, deixou claro não ter o equilíbrio para governar os EUA. E sua experiência política é nula. Como empresário, teve sucesso e enormes fracassos. Mas empresário por empresário, não chega aos pés de Bloomberg ou Romney, por exemplo.

Hillary, por sua vez, tem sim defeitos. Questões obscuras como o uso do e-mail pessoal, por exemplo. Ainda assim, diante da desqualificação total do seu adversário, se torna a candidata mais preparada para governar os EUA neste momento. Além disso, simbolicamente, ser mulher é algo extremamente positivo para uma nação que teve apenas homens no poder em sua história.  Sim, Hillary não é uma Angela Merkel ou Justin Trudeau, que são os dois grandes líderes mundiais, ao lado de Obama, na atualidade. Sua administração será complicada e baterá de frente com uma Câmara dos Deputados hostil. Talvez tenha o controle do Senado. A polarização tende a aumentar ainda mais. Vamos ver. Talvez Hillary surpreenda e possa ser uma líder histórica. Tem conhecimento enciclopédico de política internacional, superior a qualquer pessoa que já tenha ocupado a Casa Branca. No cenário mundial atual, isso é fundamental.

O certo é que o pânico com Trump chega a tal ponto que até Wall Street, historicamente mais próxima dos republicanos por questões econômicas, votará em massa em Hillary. Romney e McCain, os dois últimos candidatos republicanos a presidente, não votarão em Trump. George W. Bush e George Bush, os dois últimos presidentes republicanos, tampouco votarão em Trump.

O importante é os EUA terem um partido Democrata liberal (progressista para o Brasil) e um partido Republicano conservador tradicional. A evolução ocorre em uma balança entre os dois lados. Os democratas não mudaram. Mas o Partido Republicano está deixando de ser conservador e liberal em economia para se tornar reacionário, nativista, xenófobo e protecionista, contra o livre comércio. Uma pena. Se Trump perder, há uma chance de esta tendência se reverter, com o possível fortalecimento de conservadores tradicionais na linha de Paul Ryan. Mas é cedo para saber.

Para concluir, esta eleição não envolve duas pessoas decentes e preparadas para governar, apenas com diferenças ideológicas, como em 2012, entre Romney e Obama. Não há muita alternativa.

Guga Chacra, blogueiro de política internacional do Estadão e comentarista do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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