As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Quer ser ditador no mundo árabe? Chame seu regime de monarquia, não de república

gustavochacra

14 de novembro de 2011 | 12h18

 no twitter @gugachacra

Hoje, véspera da celebração da Proclamação da República no Brasil, o rei Abdullah, da Jordânia, disse em entrevista para a BBC que, se fosse Bashar al Assad, líder da Síria, renunciaria ao cargo. O monarca hashemita pôde dar este conselho justamente por ser, pelo menos no nome, um rei, enquanto o sírio é oficialmente presidente, apesar de, na prática, os dois serem ditadores. Muda apenas o nome.

Esta distinção, porém, se reflete na estabilidade de um regime na Primavera Árabe. Até agora, apenas líderes de repúblicas foram derrubados – Ben Ali, na Tunísia; Mubarak, no Egito; e Kadafi, na Líbia. Os ameaçados são Abdullah Saleh, no Yemen, e Assad, na Síria, também republicanos. Os reis, por sua vez, se escondem atrás de um título inventado para eles próprios. Abdullah finge trocar o premiê como se fosse um monarca europeu. Na realidade, quem manda no país é a sua família.

Nestas monarquias absolutistas do mundo árabe, tirando o Marrocos, não existe o menor sinal de democracia. Mulheres são tratadas como animais na Arábia Saudita. Não existe liberdade de imprensa na Jordânia, onde o rei não aceita uma vírgula de crítica ao seu regime. Os monarcas da família Al Khalifa em Bahrain exterminam a oposição.

Por este motivo, chega a dar nojo ver o rei Abdullah posando de moderado e dando conselhos a Assad. O jordaniano é um  ditador camuflado sob o nome de rei. Ele deveria dar o exemplo e abdicar do trono.

Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.