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Radicais sunitas ou mesmo Hezbollah podem estar por trás de ataque em Damasco

gustavochacra

27 de setembro de 2008 | 08h24

Um carro-bomba matou 17 pessoas em atentado na manhã deste sábado em Damasco. Foi um dos mais violentos ataques terrorista da história da Síria. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pela ação, mas especula-se que tenha sido algum grupo ligado à Al Qaeda especialmente porque a ação ocorreu em uma via que leva a local sagrado para os xiitas. A Al Qaeda é sunita.

Além disso, há pouco mais de uma semana, a Síria mobilizou tropas para a fronteira com o norte do Líbano, conforme informou este blog. Esta região libanesa tem observado um crescimento de grupos salafistas radicais ligados à Al Qaeda. O objetivo, afirmavam hoje em Beirute, seria impedir a entrada de terroristas que planejavam o atentado.

Acrescente-se a isso, sunitas e alauítas vêm se enfrentando na cidade de Trípoli, a principal do norte libanês. A ação poderia, portanto, ser uma resposta ao regime de Bashar al Assad, que é alauíta.

Uma outra versão que circula envolve o Hezbollah. O grupo e a Síria não mantêm a mesma relação que possuíam até o fim do ano passado. Neste ano, Imad Mughnyieh, comandante militar da organização xiita libanesa, foi morto em atentado de carro-bomba em Damasco. Tanto o governo sírio como o Hezbollah acusam Israel, que nega envolvimento. Mas em Beirute vários analistas não descartam o possível ligação de pessoas dos serviços de segurança sírios na operação. Para complicar, um general sírio que era o responsável por todo o tráfico de armas do Irã para o Hezbollah, que passa pela Síria, foi morto em atentado no mês passado.

A Síria estaria se afastando aos poucos do Hezbollah em busca de uma aproximação com o Ocidente, além de esta ser uma das condições para o país negociar a paz com Israel, que anexou as colinas do Golã.

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