As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ramadã com Brasil versus Argentina

gustavochacra

05 de setembro de 2009 | 13h44

Estamos no meio do mês sagrado do Ramadã, quando os muçulmanos jejuam do amanhecer ao entardecer. Um dos pilares do islamismo, o jejum implica em não comer, não beber e não fumar ao longo de 30 dias. Neste ano, o Ramadã ocorre durante o verão do hemisfério norte, o que torna ainda mais difícil cumprir com os preceitos da religião. Sorte dos que vivem no Brasil, que desfrutam deste mês durante o fim de inverno, com menos horas de luz do sol.

No ano passado, comentei aqui do suhul e do iftar. O primeiro é a última refeição, antes do amanhecer. O segundo começa logo depois de o sol se pôr. Primeiro vem os sucos, sopas e o mezze árabe. Depois, servem os pratos quentes e frutas. Os doces e cafés ficam para mais tarde. Durante este mês, os canais de TV de países do Oriente Médio investem pesado em produções para o horário nobre, quando a família está reunida na sala. Novelas sírias, séries libanesas e comédias egípcias. Neste ano, como novidade, há animações dos Emirados Árabes. Certamente, na noite de hoje, muitos muçulmanos estarão acordados de madrugada para assistir na TV Brasil contra a Argentina.

Os brasileiros são os mais populares no mundo árabe. Claro, sempre há aqueles do contra que torcem pela Alemanha ou Itália. Muitas mulheres, por sinal, preferem os italianos com o argumento de que são mais bonitos. Como vivi em Buenos Aires e sou fanático pelo Maradona, já fiz o teste de dizer que sou argentino para ver a reação de algumas pessoas no mundo árabe. Na hora, em vez de Ronaldo (que soa como Rolando no sotaque deles), Ronaldinho (Rolandinho), Kaka e Roberto Carlos, eles falam na hora “Maradona, Messi, Tevez, Argentina, the best”. Imediatamente, começam a dizer que todos no Líbano, Síria ou o que for torcem para a Argentina e que o Brasil ganha roubado. Vejam vocês, tudo com o intuito de agradar.

De qualquer forma, amigos próximos no Líbano admitem que realmente o Brasil é mais popular, especialmente entre xiitas e sunitas. Curiosamente, os cristãos, com a maior comunidade no Brasil, tendem um pouco mais para a Alemanha. Estes dados não são científicos, mas vale pela curiosidade.

Em Israel – que me corrijam se estiver errado –, o Brasil seria o mais popular e poucos simpatizam com a Alemanha. Com a crise argentina, no início da década, muitos judeus argentinos imigraram para Israel, o que teria alavancado um pouco a torcida por Messi.

Mais tarde, saberemos o resultado do jogo. No Oriente Médio, independentemente de quem ganhar, será uma bela desculpa para ficar acordado e comendo durante a madrugada para dormir na hora do jejum. Uma saída muito utilizada para os que não precisam trabalhar durante o dia.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.