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China e Rússia salvam o regime de Assad, campeão de assassinatos no mundo árabe

gustavochacra

04 de fevereiro de 2012 | 14h15

no twitter @gugachacra

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A Rússia e a China acabaram de vetar mais uma resolução no Conselho de Segurança. Foi a segunda vez. 

Por que a Síria é diferente dos outros países e chama tanto a atenção internacional? Afinal, a Argélia, Jordânia, Arábia Saudita, Kuwait, Bahrain, Emirados Árabes e Omã também são ditaduras. Isso sem falar na China. Mas vamos ficar apenas no mundo árabe.

Apesar de discursos anti-americanos, a postura anti-Síria do Ocidente não se deve aos EUA. Na realidade, a administração de Barack Obama buscou ao máximo dialogar com Bashar al Assad. Inclusive, enviaram o embaixador Robert Ford para Damasco justamente tentando esta aproximação.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, mesmo depois da morte de dezenas de pessoas, disse ter confiança de que Assad era um reformista. O líder sírio também desenvolveu amizade com John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Israel faz tempo que queria voltar a negociar com Assad a devolução das colinas do Golã. Ehud Olmert chegou perto de um acordo. Para os israelenses, apesar da aliança com o Hezbollah, o líder sírio era uma garantia de segurança na fronteira.

A Arábia Saudita e seu aliado no Líbano, Saad Hariri, nunca gostaram de Assad. Mas eles não estavam no auge de sua oposição ao regime sírio, como em 2005 e 2006. Havia uma acomodação. O rei Abdullah visitou o Líbano acompanhado de Assad em 2010. Hariri visitou o líder sírio duas vezes em Damasco.

Na realidade, a Síria passou a ser alvo da comunidade internacional porque o regime matou ao menos 5.400 pessoas, segundo a ONU. O Human Rights Watch publicou relatório ontem acusando as forças de Assad de ter torturado e matado crianças.

Regimes repressores como o da Argélia, do Irã e da Jordânia não conseguem entender. Eles também prendem e torturam opositores, mas não têm levado adiante assassinatos em massa – os argelinos fizeram uma limpeza anos atrás, mas agora evitam mortes na repressão.

No mundo árabe, desde a deposição de Saddam Hussein, nenhum regime matou tanta gente quanto o de Assad. Nem mesmo Muamar Kadafi chegou perto. Mas, claro, não podemos esquecer de um outro Assad, o Hafez, que matou ao menos 10 mil pessoas em Hama 30 anos atrás.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacio

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