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Regime de Assad está intacto na avaliação dos EUA e de consultorias de risco

gustavochacra

10 de março de 2012 | 12h49

no twitter @gugachacra

Bashar al Assad permanece firme no poder na avaliação dos Estados Unidos, segundo reportagem do Washington Post, e da maior parte das consultorias de risco político. Apesar de publicamente autoridades americanas, para fins políticos, dizerem que os dias do líder sírio estão contados, os serviços de inteligência indicam o oposto.

Mais de um ano depois de iniciados os levantes, nenhum embaixador, ministro ou divisão do Exército rompeu com o regime – o máximo foi um vice-ministro do petróleo que já possuía ligações com a Arábia Saudita. Há informações de que generais desertaram ontem. Mas não há nomes e, no passado, informações envolvendo ministros, generais e embaixadores se provaram incorretas. Interessante notar que os nomes não teriam sido publicados “para proteger as famílias”. Certo, basta o regime ligar para todos os generais e, em 20 minutos, descobre quem supostamente teria fugido. Numa hora destas, os familiares já estariam (ou estão) presos e sendo torturados por um dos regimes mais violentos do mundo. Além disso, o site da agência Anatólia não traz esta informação (mas ela deve ter sido divulgada para os clientes).

Claro, se alguém souber os nomes e tiver confirmação oficial, por favor, me avisem que arrumo o texto imediatamente.

Nenhuma área do país está sob controle da oposição. Nenhum protesto conseguiu reunir mais de mil pessoas em Aleppo ou Damasco, as duas maiores cidades. Depois de um massacre, as forças do governo recuperaram Homs e estão prestes a retomar Idlib.

Os pilares do poder de Assad seguem intactos. As minorias cristãs e alauítas continuam ao seu lado. O apoio da elite comercial sunita das duas maiores cidades também está praticamente intacto. As Forças Armadas permanecem unificadas. Rússia, Iraque, Irã e Venezuela ainda são capazes de bancar o regime.

No longo prazo, especialmente por causa da deterioração da economia, existe um risco de Assad ser deposto. Mas cada vez mais este risco passa a ser adiado para o fim de 2012, começo de 2013. Na verdade, aos poucos, como a missão de Kofi Annan deixou claro, a comunidade internacional passará a aceitar a possibilidade de dialogar com o líder sírio.

Resumindo, o regime não conseguirá eliminar os levantes a favor de mudanças depois de 40 anos de regime ditatorial por mais que continue matando milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, os opositores serão incapazes de derrubá-lo do poder. O resultado, óbvio, é uma guerra civil de baixa intensidade prolongada com as forças de Assad levando vantagem nos armamentos.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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