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Republicanos ainda não encontraram candidato dos sonhos para derrotar Obama

gustavochacra

04 de janeiro de 2012 | 12h10

Eleições nos EUA 2012
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O elenco de pré-candidatos republicanos nas prévias que começaram ontem em Iowa com uma vitória por 8 votos de Mitt Romney sobre Rick Santorum é considerado um dos mais fracos da história, sendo descrito como “medíocre” pelo site Politico. A ponto de alguns republicanos históricos como William Kristol, editor da republicana revista Weekly Standard e uma das mais respeitadas vozes republicanas, e o estrategista Karl Rove ainda acreditarem em um nome que una o partido.

Os mais citados são ainda os de Jeb Bush (ex-governador da Flórida e irmão do ex-presidente), Mitch Daniels (governador de Indiana) e Chris Christie (governador de New Jersey). De acordo com uma série de pesquisas, esta não seria uma eleição difícil para derrotar o atual presidente. Nunca um ocupante da Casa Branca conseguiu se reeleger com níveis de desemprego ao redor dos 9%, como acontece agora com Obama. Ao mesmo tempo, nenhum dos pré-candidatos opositores conseguiu provar que seu nome seria o ideal para derrotar o presidente. Mesmo Mitt Romney, visto como o favorito, está longe de agradar a base.

No passado, o establishment republicano em Washington e Nova York dominava o partido e sempre se unia ao redor de um nome entre os pré-candidatos que defendesse os tradicionais interesses do partido, como menos intervenção do Estado na economia e uma política externa realista, defendendo os interesses do Estados Unidos ao redor do mundo. Os escolhidos muitas vezes eram figuras que já disputaram prévias no passado ou foram vice-presidentes, como os recentes casos de Richard Nixon, Ronald Reagan, George Bush, Bob Dole e John McCain.

Quando Obama chegou ao poder, uma nova corrente dentro do partido, o Tea Party, ganhou força. Alguns de seus membros seguem a linha libertária, de Ron Paul, e querem uma redução drástica nos gastos do governo, incluindo a área de segurança internacional, vista no passado como sagrada pelo partido. Outros, mais conservadores em questões religiosas, levantam bandeiras como a oposição ao casamento de homossexuais e o direito ao aborto.

Além disso, o bilionário Rupert Murdoch, que declarou apoio através do Twitter para o conservador Rick Santorum, comprou o Wall Street Journal e seu canal de TV, Fox News, é um dos maiores propagadores das idéias do Tea Party.

Em editorial nesta semana em que crítica o partido opositor, a revista britânica The Economist afirma que o candidato republicano hoje “precisa ser a favor da deportação dos 12 milhões de imigrantes ilegais, deve dizer que as 46 milhões de pessoas sem seguro saúde são responsáveis por esta situação, tem de defender que o aquecimento global é uma conspiração, se opor a restrições ao uso de armas de fogo, vetar aumento nos impostos e sempre achar que Israel não faz nada de errado e o palestinos não fazem nada correto”.

Dentro deste cenário, uma série de pré-candidatos conservadores vem se revezando como principal rival de Romney nas pesquisas. Segundo análise publicada no Washington Post, “o conservadorismo de Reagan mudou o GOP (Partido Republicano) quando ele foi o escolhido em 1980”. Mas, segundo Pete Wehner, estrategista republicano citado pelo jornal, “neste ano, o partido é o sol e os candidatos são planetas. Eles estão tentando provar aos eleitores das primárias que são confiáveis quando colocados diante da plataforma básica do GOP”.

Para William Galston, do Brookings Institute, mais próximo do Partido Democrata, a preocupação maior dos republicanos não envolveria as questões sociais, como muitos dizem, mas as econômicas. Isso explicaria em parte o bom desempenho do libertário Ron Paul. De acordo com o levantamento do PPP, “39% dos participantes dos cáucus em Iowa (considerado um Estado conservador) consideram a redução nos gastos do governo o problema mais importante, seguido por 25% que vêem o desemprego e a economia”. Apenas 12% priorizam as questões sociais. Mais impressionante, somente 3% citam a imigração ilegal e a política externa.

Segundo Michael Barone, do conservador American Enterprise Institute, o atual elenco de pré-candidatos republicanos pode trazer surpresas, apesar de fraco, assim como ocorreu nas primárias democratas de 1932. “Na época, Franklin  Roosevelt era considerado uma figura menor, que usava o sobrenome, similar ao do seu antecessor Theodore Roosevelt, para tentar se alavancar”, afirma. No fim, “goste ou não das políticas dele, Roosevelt foi um dos mais formidáveis presidentes americanos”.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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