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Republicanos amam Israel e ignoram existência do Brasil

gustavochacra

27 de janeiro de 2012 | 12h36

Eleições nos EUA 2012 

no twitter @gugachacra

No debate dos pré-candidatos republicanos de ontem na Flórida, um jovem e filiado ao partido perguntou aos candidatos sobre o processo de paz no Oriente Médio, acrescentando que, diferentemente das afirmações de Newt Gingrich e Rick Santorum, ele é “palestino e existe”.

De forma bizarra, Gingrich insistiu na imbecilidade de dizer que os palestinos não existem. É deprimente ouvir isso de um candidato com condições de chegar à Casa Branca. Pior, veio com uma “tecnicalidade”, nas palavras dele, de que os palestinos na verdade são “libaneses, sírios e egípcios”. Não, não são. Eles são palestinos.

Mitt Romney, que é o mais moderado deles, atacou Barack Obama por “ter desrespeitado” Benjamin Netanyahu. Assim como Gingrich, em nenhum momento defendeu o direito de os palestinos terem um Estado. Ao contrário, os dois não criticaram os assentamentos israelenses e o tempo todo culparam a Autoridade Palestina pelo fracasso nas negociações (em parte são, mas Israel também) e deram a entender que os palestinos são um bando de terroristas.

Nas eleições de 2008, me lembro de um debate entre os dois candidatos a vice-presidente, Joe Biden e Sarah Palin, em que ambos disseram “amar Israel”. No seu discurso do Estado da União deste ano, Obama mais uma vez mencionou a relação especial dos EUA com os israelenses, sem citar nenhum outro país amigo, como o Canadá e a Inglaterra.

Entendo os EUA serem aliados de Israel por questões estratégicas e culturais. Mas o Canadá, México, Colômbia, Inglaterra e, claro, o Brasil também são. Por que não tratar os israelenses como os ingleses ou os canadenses, onde algumas vezes pode haver discordância, sem afetar as relações?

No debate de ontem, também foi triste ouvir as políticas deles América Latina. Os quatro candidatos não falaram o nome do Brasil. Perderam mais tempo falando do Hugo Chávez, de Honduras, de Cuba e, por incrível que pareça, de radicalismo islâmico na América Latina. Depois, reclamam da presença da China como parceira comercial de gigantes como os brasileiros, que têm aquecido a economia da Flórida, especialmente no mercado imobiliário.

A não ser, claro, o libertário Ron Paul, que defendeu o livre comércio com toda a região, sem a necessidade de os EUA se intrometer nos assuntos internos de outros países, como quer o islamofóbico e homofóbico Rick Santorum. Paul tampouco teve tempo de falar de Israel, mas ele defende o fim da ajuda militar aos israelenses.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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