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Republicanos devem renascer com políticos jovens e hispânicos pró-mercado

gustavochacra

08 de novembro de 2012 | 12h01

Eleições nos EUA 2012

Os republicanos perderam esta eleição por pouco. Tiveram praticamente a metade dos votos. No Colégio Eleitoral, passaram dos 200 delegados. Massacre foi a vitória de Ronald Reagan (republicano) sobre o Walter Mondale em 1984 ou Richard Nixon (republicano) sobre o George McGovern em 1972. Eles conquistaram todos os Estados menos um em cada uma destas ocasiões.

Na verdade, Obama teve uma campanha melhor. Seus estrategistas erraram menos e conseguiram vender um presidente apesar da alarmante taxa de desemprego, em 7,9%, que seria 11% se a população economicamente ativa fosse a mesma de 2007. E os republicanos fizeram gols contra como em algumas declarações imbecis de candidatos ao Senado, espantando o eleitorado feminino. Caso tivessem realizado uma campanha melhor, poderiam ter hoje a Casa Branca e o Senado.

O primeiro foco dos republicanos precisa ser no eleitorado hispânico. Eles podem recuperá-lo. Em 2004, 45% votaram em George W. Bush. Atualmente, há enorme insatisfação com Barack Obama, que deportou mais de 1 milhão. O problema é que uma frase de Romney nas primárias, a self-deportation, que não foi bem explicada, deixou muito negativa a sua imagem.

A saída para os republicanos é usar seus políticos hispânicos, que são bem mais populares do que os raros democratas de origem latino-americana. Tem o Marco Rubio, senador pela Flórida, a Susana Martinez, governadora do Novo México, o Ted Cruz, senador eleito pelo Texas, e até mesmo o Jeb Bush, ex-governador da Flórida, casado com uma mexicana, com filhos que se identificam como hispânicos e fluente em espanhol.

Para completar, os democratas possuem apenas Hillary Clinton como nome forte para 2016. Os republicanos contam com vários candidatos preparados, como Paul Ryan, Chris Christie (meio queimado depois do furacão Sandy), Rubio, Rand Paul, Jeb Bush, Bobby Jindal, Robert McDonnell e outros. Todos sérios. Verdade, figuras bizarras como Rick Santorum devem tentar de novo. Mas será difícil ele superar os bem preparados jovens do partido.

Antes de terminar, lembro que sempre pregam a morte de um partido. Foi assim com os democratas em 1972, 80, 84, 2004 e, não se esqueçam, 2010. Política é cíclica. Os republicanos, se adotarem um discurso um pouco mais moderado e levarem em conta posições dos libertários, atrairão o eleitorado jovem, que prefere Ron Paul a Obama, e hispânico.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade ColumbiaTambém é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen.  No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

 

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