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Resolução anti-Assad é bem intencionada, mas hipócrita

gustavochacra

03 de agosto de 2012 | 16h56

">Comentário sobre a Síria na TV Estadão

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A resolução aprovada contra a Síria na Assembleia Geral da ONU não tem o mesmo peso de uma no Conselho de Segurança. Muito menos pode incluir o capítulo 7 da carta das Nações Unidas, abrindo espaço para sanções e intervenção. Na verdade, o caráter é apenas simbólico.

O objetivo desta resolução foi mostrar ao mundo que Bashar al Assad está isolado. No fim, foram 132 votos a favor, incluindo o do Brasil, 12 contra e 31 abstenções. O texto pede, entre outros pontos, uma transição para a democracia e vê como boa uma saída do líder sírio, embora não exija que isso ocorra.

Indiretamente, também alveja a Rússia e a China para mostrar que os vetos destas duas nações não desfrutam de amparo da comunidade internacional que, supostamente, teria uma posição mais próxima de EUA e União Européia.

Para completar, apesar de bem intencionada, a resolução é hipócrita por ter sido redigida por dois países (Arábia Saudita e Qatar) que abertamente apóiam a oposição e estão longe, muito longe mesmo, de serem democracias. No caso saudita, com o agravante de ter apartheid contra as mulheres e ter participado da violenta repressão contra a oposição em Bahrain, onde morreram dezenas de pessoas, com centenas de torturados e milhares de detidos.

Mas o mundo é hipócrita mesmo. Neste caso, pelo menos, a hipocrisia teve uma causa nobre que foi condenar um regime sanguinário.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

no twitter @gugachacra

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