As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Resolução contra Kadafi – EUA e Hezbollah, a favor; BRICs e Alemanha, abstenção

gustavochacra

17 de março de 2011 | 20h33

No twitter @gugachacra

Os BRICs, mais a Alemanha, se abstiveram na votação no Conselho de Segurança na ONU que aprovou o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia. O Líbano, por sua vez, foi o país mais ativo ao lado da França, Reino Unido e Estados Unidos para aprovar a resolução. Os árabes – tanto os governos como a população – defendem intervenção externa para conter Muamar Kadafi.

O irônico é que o atual governo libanês é considerado hostil pelos americanos. O Hezbollah, classificado como terrorista pelo Departamento de Estado, integra e tem força na atual coalizão libanesa. O premiê Najib Mikati conta com o apoio da Síria e do Irã, dois países que, segundo os americanos, apóiam o terrorismo.

Ainda assim, os EUA estão mais próximos dos libaneses do que do Brasil e da Alemanha na questão líbia. Os interesses de Washington e Beirute se aproximam. Insisto, o Líbano hoje não atende apenas aos desejos da Liga Árabe, que apóia a zona de exclusão, mas também do Irã. No caso, os iranianos estariam com uma posição mais similar à dos americanos do que os BRIC. Eles acham que a zona de exclusão aérea contribuirá para evitar que Kadafi cometa um massacre contra os rebeldes.

Na votação, ficou claro que uma nova disputa emerge na geopolítica internacional. E não é a bobagem de choque de civilizações. Na verdade, os emergentes dos BRICs, mais a Turquia, começam a se posicionar como uma força diante dos EUA e da Europa. Ao mesmo tempo, não dá para simplificar tanto. Afinal, a Alemanha também se absteve de votar.

Enfim, o mundo não se divide entre bons maus. Mas entre interesses que se alteram de acordo com a situação. Hoje, os EUA eram mais próximos do Hezbollah e seus aliados cristãos libaneses do que dos alemães. Ou, pelo menos, a avaliação do cenário pelos americanos era mais próxima da dos libaneses do que da dos alemães e brasileiros. Washington e Beirute acham que a zona de exclusão aérea conterá Kadafi. Os BRICs e Berlim, apesar de também serem contra Kadafi, classificam a ação como arriscada.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo em 2009, empatado com o blogueiro Ariel Palacios