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Eixo Teerã, Eixo Riad e Eixo Tel Aviv

gustavochacra

07 de maio de 2013 | 08h24

Veja também meu comentário sobre Armas Químicas na Síria no Jornal das Dez da Globo News

 O Oriente Médio hoje possui três eixos. O primeiro deles é formado por Irã-Hezbollah-Assad-Iraque (que eu chamarei de Teerã). O segundo conta com a oposição síria, oposição iraquiana e nações sunitas (que eu chamarei de Riad). O terceiro tem apenas Israel. A Guerra Civil da Síria pode ser explicada pelo triângulo formado por estes três eixos que são inimigos entre si.

Neste fim de semana, por exemplo, Israel bombardeou armamentos iranianos que supostamente seriam transferidos para o Hezbollah via Síria. Não era, portanto, relacionado com eixo Riad. Era parte integral do confronto entre o eixo Israel e o eixo Teerã.


Meu comentário sobre a Síria na TV Estadão

O medo israelense é que, com estes armamentos, o eixo Teerã se fortaleça e, com os mísseis Fateh 110, de alcance de 300 km e combustível sólido, passe a ter a capacidade de atingir todas as principais cidades de Israel, incluindo Tel Aviv e Jerusalém, provocando enorme destruição.

Ao realizar esta ação, porém, o eixo Israel teme fortalecer o eixo Riad. Por mais irônico que pareça, o eixo Teerã, com o regime de Assad no poder, é bem mais previsível para os israelenses do que os opositores sírios. Israel há quatro décadas mantém uma estabilidade total nas colinas do Golã na Síria e já aprendeu a lidar com o Hezbollah, no Líbano. Grupos rebeldes do eixo Riad, como a Frente Al Nusrah, ligada à Al Qaeda, são imprevisíveis.

Além dos bombardeios de Israel, tivemos mais novidades nos últimos três dias na Guerra Civil da Síria. A comissária da ONU, Carla del Ponte, acusou a oposição síria, do eixo Riad, de ter usado armas químicas. Mais tarde, a Comissão de Investigação da ONU, presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou, por outro lado, que não dá para saber quem usou o armamento.

O certo, portanto, é que não se pode para cravar que Bashar al Assad ou seus opositores tenham usado armas químicas. Não há provas ainda de que o regime de Damasco tenha ultrapassado a linha vermelha estabelecida por Barack Obama e o presidente americano, por enquanto, pode segurar a pressão para intervir.

Uma intervenção, na visão do líder americano, é extremamente arriscada. E ele tem razão. Não dá para saber como o envolvimento dos EUA estabilizaria o país. No Iraque, uma guerra causada pela intervenção americana causou entre 150 mil e 300 mil mortos (pelo menos o dobro da Síria), milhares de jovens americanos mortos e trilhões em gastos para Washington – e o conflito, dez anos depois, ainda não terminou. Por que na Síria seria diferente?

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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