As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Romney ganhou as duas “semifinais”, mas ainda pode perder as “finais” na Carolina do Sul e na Flórida

gustavochacra

11 de janeiro de 2012 | 01h16

Eleições nos EUA 2012

Comentários agora são via Facebook e outros servidores (isto é, não precisa ter perfil no site de relacionamentos).

no twitter @gugachacra

Mitt Romney venceu as primárias em New Hampshire uma semana depois de ter ganho em Iowa. Com a diferença de ontem ter conquistado a vitória por uma margem de 15 pontos percentuais, em vez dos oito votos no cáucus. Estes resultados das prévias são históricos e poderiam indicar uma inevitabilidade na escolha da nomeação do ex-governador de Massachusetts como o rival de Barack Obama em novembro. Afinal, nem mesmo o presidente derrotou os adversários nestes dois Estados nas primárias democratas de 2008.

Porém ainda é cedo para dizer que Romney será o candidato republicano para a Presidência, apesar de ele ser favorito absoluto. Os resultados de ontem eram mais do que esperados. Já na Carolina do Sul e na Flórida, o ex-governador enfrentará um eleitorado mais conservador e evangélico (algo ruim para um mórmon como ele). Uma série de propagandas negativas sobre seu histórico como empresário pagas por grupos simpatizantes de Newt Gingrich podem afetar a sua candidatura. Os debates também serão cruciais.

Dos seus rivais, Ron Paul continua tendo um desempenho surpreendente. Já virou o verdadeiro guia de um movimento com seguidores não apenas nos EUA, mas até mesmo no Brasil e no mundo árabe. Nas primárias de ontem, ficou em segundo lugar, mas venceu entre os jovens mais uma vez. Sua mensagem libertária, defendendo menos intervenção governamental, corte nos gastos e retorno das tropas para os EUA, conforme escrevi ontem, ganha cada vez mais força.

O libertário não tem motivo para deixar as prévias. Ainda possui dinheiro para seguir em frente. Certamente perderá no final, mas seu objetivo é difundir suas idéias e colocá-las cada vez mais nos debates. Na convenção republicana, ele deve ser o segundo com o maior número de delegados. Fica difícil para seus adversários criticarem as despesas do governo e defenderem gastar trilhões em guerras. Para completar, Romney, caso seja o escolhido, não poderá atacar Paul diretamente. Caso contrário, o texano de 76 anos pode decidir concorrer como independente, prejudicando a candidatura republicana.

Rick Santorum tampouco pode ser considerado carta fora do baralho. O homofóbico e islamofóbico ex-senador empatou com Romney na primeira colocação em Iowa (honestamente, oito votos é empate) e conseguiu um desempenho razoável em New Hampshire, com 10% dos votos – uma semana atrás, ele tinha menos de 1%. Na Carolina do Sul, seu discurso conservador pode surpreender mais uma vez. Uma vitória no Estado sulista, que é possível, o fortaleceria para seguir adiante nas prévias.

A situação de Newt Gingrich não é muito distinta. O algoz de Bill Clinton é um político hábil. Suas chances também estão depositadas na Carolina do Sul e na Flórida. O resultado em New Hampshire é quase irrelevante. Porém analistas afirmam que seu objetivo agora é fazer Mitt Romney perder de Obama. Não que ele goste do presidente. Ao contrário, discordam em quase tudo. Mas este ex-presidente do Congresso odeia o seu adversário republicano e levou a disputa para o lado pessoal. Gingrich quer destruir o ex-governador de Massachusetts mesmo que isso signifique mais quatro anos de democratas no poder.

Jon Huntsman, que certamente é o mais moderado pré-candidato republicano, teve uma boa votação ontem, com quase 20%. Mas a terceira colocação em um Estado em que ele praticamente morou nos últimos meses deve ser considerada um fracasso. Uma pena. Seu currículo é invejável. Utah foi um dos Estados mais bem administrados dos EUA, com uma das menores taxas de desemprego e um dos maiores crescimentos econômicos. Seu sucesso na iniciativa privada (é bilionário) não tem discussão. Além disso, é um dos raros líderes internacionais fluente em chinês. Mas sua passagem como embaixador de Obama na China, apesar de fortalecê-lo entre os independentes, é intragável para muitos conservadores republicanos. Quem sabe daqui quatro anos ou como secretário de Estado…

Rick Perry tinha tudo para ser o rival de Romney meses atrás. Mas sua performance patética nos debates foram fatais. Seu 1% dos votos ontem o deixou bem atrás na sua disputa pelo eleitorado conservador contra Santorum e Gingrich.

Leiam ainda o blog Radar Global. Acompanhem também a página do Inter do Estadão no Facebook

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores ou contra o blogueiro. Pessoas que insistirem em ataques pessoais não terão mais seus comentários publicados. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima. O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Os comentários dos leitores não refletem a opinião do jornalista

O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.