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Rússia, alauítas e cristãos contra EUA, Europa e sunitas na batalha da Síria

gustavochacra

13 de julho de 2012 | 12h05

no twitter @gugachacra

Quando aconteceu o massacre de Houla, escrevi que ocorreriam muitos outros. Agora ficamos sabendo de relatos sobre a suposta morte de 220 pessoas em uma vila perto de Hama. Não sei e, honestamente, ninguém sabe exatamente o que teria se passado Traymseh. Portanto prefiro manter a cautela.

Agora, mais uma vez, estamos diante de um Conselho de Segurança que precisa tomar uma decisão sobre qual o rumo diplomático para resolver a crise sem solução na Síria – isso mesmo, independentemente do que decidam, não adiantará nada.

EUA e os europeus querem uma resolução com a inclusão do artigo 41 do capítulo 7 da carta da ONU. Basicamente, esta determinação implicaria em ameaças de sanções ao regime sírio caso não coopere com o plano de Kofi Annan.

A Rússia e a China são contra. Primeiro porque consideram a oposição culpada também pelo cenário na Síria. Mas, mais importante, porque consideram o artigo 41 apenas como um degrau para o 42, que seria a ameaça de intervenção militar.

No momento, é possível traçar tendências. Sempre escrevi aqui que o regime sírio possui quatro pilares de poder – as minorias alauíta e cristã, a elite sunita de Damasco e Aleppo, as Forças Armadas e o Partido Baath. Duas deserções recentes indicam que um destes pilares começa a ruir.

Primeiro, o general Manaf Tlass, filho do ministro da Defesa que exerceu o cargo por 32 anos de Assads no poder – tanto Hafez como Bashar. Agora, com a do embaixador da Síria no Iraque, Nawaf Fares. Notem que os dois são típicos representantes da elite sunita damascena e alepina.

Aos poucos, este racha se agravará. Isso não significa uma queda de Assad. Mas o agravamento das divisões sectárias, atualmente mais fortes no interior, também dentro das duas grandes cidades da Síria. Logicamente, neste cenário, haverá ainda mais massacres como os de Traymseh e Houla. Aqui, meu comentário na Globo News ontem sobre a Síria

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. Também é comentarista do programa Em Pauta, na Globo News. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios