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Salafistas, e não a Irmandade, são o maior perigo para o Oriente Médio

gustavochacra

02 de dezembro de 2011 | 10h17

no twitter @gugachacra

Há dois meses, estive na Síria, onde realizei uma série de reportagens. Na época, escrevi que o país estava à beira de uma guerra civil. A ONU confirmou em Genebra esta informação ontem. Também escrevi até mesmo antes de viajar que a oposição vinha sendo armada por países do golfo. As informações também foram confirmadas.

Hoje escrevo para dizer que o risco para o Egito não é a Irmandade Muçulmana. Por incrível que pareça, nos próximos meses, eles passarão a ser vistos como moderados e defensores de alguns valores egípcios. O mais grave são os salafistas, segundo colocados nas eleições. Um amigo egípcio, da elite do Cairo, me disse ontem ser assustadora a posição de alguns deles, que conseguiram mais de 50% dos votos em Alexandria, uma cidade conhecida por ser cosmopolitia e tolerante no passado.

Financiados pela Arábia Saudita, estes salafistas adotam posições próximas da Al Qaeda. No caso do Egito, se posicionarão abertamente contra Israel e devem facilitar o tráfico de armas para Gaza. No território palestino, apóiam grupos ainda mais radicais do que o Hamas. Em Homs, na Síria, são os principais responsáveis pelos ataques contra cristãos e alauítas. O mundo dos salafistas é a antítese do que foram cidades como Aleppo e Alexandria até a primeira metade do século 20.

Em abril, no começo da Primavera Árabe, escrevi sobre o fim das cidades árabes cosmopolitas árabes e o aumento da religiosidade.

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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacios

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